quarta-feira, 30 de maio de 2012

Yo no creo en brujas, pero...


De um bate papo, cortando o cabelo, momento e local altamente propício à filosofia e divulgação de cultura inútil, surgiu a curiosidade de saber de onde poderiam estar as origens de algumas crendices que estão arraigada em nossa mente, sem sequer darmos conta de onde surgiram e nem se têm algum fundamento. Munido de insônia e curiosidade, lancei-me na blogosfera à garimpar algumas explicações. Não posso garantir nenhuma delas, mas me parecem convencer. Então vamos ver algumas:


QUEBRAR ESPELHO DÁ AZAR
Este objeto, criado na Itália no século XIII, era feito com prata pura, e portanto caríssimo. Que os possuia tinha medo que as pessoas que fossem limpá-los pudessem quebrá-los, e por isso eram advertidas que, caso fossem quebrados, teriam muitos anos de azar.


MANGA COM LEITE
Conta-se que na época do Brasil Colônia, o leite era uma alimento caro, e portanto deveria ser consumido somente pelos patrões e não pelos escravos, os primeiros trataram de espalhar um boato que leite com manga fazia muito mal, uma vez que os escravos gostavam muito dessa fruta, e havia em abundância. Desse modo surgiu a lenda que a mistura faz mal, mas o mal que fazia era para o bolso dos senhores que não queriam dividir o leite com os escravos.


GATO PRETO
Também na Idade Média, acreditava-se que as bruxas, quando transformadas em animais, preferiam fazê-lo na pele de um gato preto. Isso significava que, ao encontrar-se com um gato preto, poderia ser muito provável que o mesmo era uma bruxa disfarçada.


PASSAR POR BAIXO DE ESCADA
Na Idade Média, quando um castelo era atacado, utilizavam-se escadas para poder escalar os altos muros. Contra-atacando os que se arriscavam nessa empreitada, jogavam-se barris de óleo fervente que atingia não somente os que estavam subindo pela escada como também que estava passando por baixo da mesma. Daí o azar.


BATER NA MADEIRA
Ao observar que os raios geralmente caíam nas árvores, os nossos antepassados acreditavam que estas plantas poderiam trazer em seu interior uma morada para divindades que, ao serem requisitadas, deveriam ser acordadas pela batida com o nó dos dedos.




Se você tem uma história, acrescente-a nos comentários e compartilhe seus conhecimentos e colabore para o aumento da cultura inútil, mas lembre-se que são só crendices e superstições, afinal, como diria o velho vigário Quevedo: "isso non eczixte".

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

O primeiro computador a gente nunca esquece.


O primeiro computador que tive acesso, para poder mexer mesmo, foi um TK-82-C, graças à aquisição feita por Antonio José dos Santos, um companheiro de muitas horas que, de alguma forma, já vislumbrava o futuro.

Anos 80. Era um aparelho, (http://www.museo8bits.es/tk82.htm) pouco maior que uma calculadora, com teclado de membrana, que a gente ligava na televisão (aí já começava um grande desafio: a disputa com quem queria ver novelas, filmes, etc. - razão pela qual, diga-se, existia a TV).

Ao ligar, na tela da TV aparecia um cursor, ou seja, um retangulozinho piscando, que era o “prompt”. Este computador tinha uma incrível memória de 2 kb. Isso mesmo, 2 kbytes. Para comparar, hoje um DVD de 4,7Gb poderia conter o equivalente a 2.350.000 TK. Algum tempo depois, esses 2 kbytes ficaram insuficientes, e foi então necessário usar a possibilidade de instalar uma expansão para 16 kbytes. Hoje qualquer celular, do mais simples, tem memória de 16 Gb e é, portanto, 500 mil vezes maior que o TK-82-C expandido.

Tínhamos que aprender a linguagem Basic, para poder programar algo. Mas esta linguagem era bastante acessível, visto que se assemelhava a comandos inteligíveis como: PRINT, FOR – NEXT, IF – THEN – ELSE, GOTO, GOSUB, e tantos outros, sempre em inglês, óbvio.
A opção era uma linguagem chamada Assembler, que consistia um amontoado de hexadecimais, extremamente difícil de aprender: 0A 12 B2 4C, FF 1B E4 28 e por aí vai.





Nessa época, também vendido pela Microdigital, surgiu o TK-83 (http://www.marceloeiras.com.br/museu/propaganda_tk90.htm) e o TK-85 (http://www.mci.org.br/micro/microdigital/tk85.html) com inacreditáveis 64 kb de memória. Apareceram por aqui também o Apple II (http://oldcomputers.net/appleii.html) e o “nacional” CP-500 (http://www.museudocomputador.com.br/cp500.php).

Sabíamos que estávamos muito atrasados em relação a outros países, também na computação, mas mesmo assim era tudo uma grande e deliciosa novidade.







Por volta de 1984 ou 1985, minha irmã, Maria Tereza, comprou um TK 2000 II (http://www.bojoga.com.br/2010/01/17/tk-2000/), com 64 kb de memória e, acreditem, era colorido! Isto é, se fosse ligado a uma TV colorida. Se já era difícil ter uma TV disponível para ligar um computador, imagine se era a colorida. Preciso reconhecer que me apossei descaradamente do computador da minha irmã, e lá fui eu fazer mais joguinhos (Desculpe-me Tê, e muito obrigado). Mas, sem me dar conta, estava desenvolvendo minha capacidade lógica. Algo que me ajuda profissionalmente até os dias de hoje.

Em casa, fizemos muitos joguinhos para usar o que havíamos aprendido em Basic. E foi muito interessante, quando me deparei com um Apple II no laboratório de testes da Pereira Lopes, empresa que eu trabalhava. Graças a outro companheiro, o Sidney Morelli, ter convencido o chefe dele que, se comprasse um computador pessoal, poderia fazer o monitoramento 24 horas de alguns testes de geladeiras. (O Ney que me perdoe se estou enganado a este respeito).

E da produção de joguinhos, conheci e passei a usar ferramentas como Lotus 1-2-3, Wordstar e poucos outros programas disponíveis, mas aí vieram os “poderosos” PC-XT (http://be8bits.com/?p=147), PC-AT 286, 386, 486 e finalmente “Pentium”, e com eles a estratosférica gama de programas que é impossível conhecermos todos.

Ok, chega de saudosismos e naftalina, mas as vezes me pego pensando: E como será o computador do futuro?



Como este da foto?




Ou talvez como este do vídeo?


Ou seria melhor questionar: Haverá computador?

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Mensagem de Final de Ano 2011


Mantendo a tradição que comecei no ano passado, quero deixar aqui registrado minha mensagem de final de ano, a todos que por aqui passaram e me prestigiaram com sua visita.

Para isso, vou me valer de um livro que sempre retorna às minhas divagações, e com grifos meus, faço aqui a transcrição da passagem em que a raposa explica a O Pequeno Príncipe o significado de “cativar”.

- Que quer dizer cativar? – perguntou o príncipe.

- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. - Significa criar laços...

- Criar laços?

- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos.

- E eu não tenho necessidade de ti.

- E tu não tens necessidade de mim.

- Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo... Mas a raposa voltou a sua ideia:

- Minha vida é monótona. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei o barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora como música.

- E depois, olha! Vês, lá longe, o campo de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram de coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelo cor de ouro. E então serás maravilhoso quando me tiverdes cativado. O trigo que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento do trigo...

A raposa então se calou e considerou muito tempo o príncipe:

- Por favor, cativa-me! - disse ela.

- Bem quisera, disse o príncipe, mas eu não tenho tempo. Tenho amigos a descobrir e mundos a conhecer.

- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não tem tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres uma amiga, cativa-me!

- Os homens esqueceram a verdade, disse a raposa.

- Mas tu não a deves esquecer.

Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”.

Eu desejo a todos a quem eu cativei ou por quem fui cativado, que estejamos dando a devida atenção aos nossos laços.

Mas, se tu fores um que cativei e que estou em dívida contigo, se ainda tiveres a bondade para relevar, por favor, deixe-me saber disso.

Feliz Natal e um 2012 repleto de novos laços.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

22 de Novembro - Dia do Músico


Hoje é dia do músico. Ser que tira o som de onde não há, faz vibrar um tom roubado da natureza, acrescenta ou não a poesia e lança um encanto, que de magia enche o momento.

A pouco me dei conta que, nas partituras ou partes duras da vida, sempre estive ligado de algum modo a música. No berço, fui embalado por um som de viola, daquela cabocla mesmo, lavrada da madeira, riscada no fogo e polida com cera. De ponteado em ponteado, para a paz do sono ia sendo levado. Pinho que era acariciado pelo Seu Tunico, caboclo brabo, talhado nas dificuldades da vida, e desde muito menino, desafiado na dureza da realidade. De quando em vez, Dona Ambrozina me ninava com uma canção lembrada da sua curta infância, quase perdida nos cantões da memória.

Nunca consegui aprender um acorde sequer nas dez cordas da viola, e tive que me contentar com as seis do violão, trilhado nos vigus das bancas, que até hoje guardo em pasta, já amarelados pelo tempo, mas com muitas letras e acordes gravados na memória. Toquei em missa, quando ainda me fazia sentido, em serenata, em festas, e até em festivais me aventurei.

Acompanhado pelo coral das três meninas do Brasil, afirmamos que I want to go back to Bahia, sem nunca termos estado lá. Mas que nada, quantas vezes entrei numa wave, para não deixar que o cotidiano me engolisse, nem o nº 2, afinal eu ainda tenho meu violão. Pelos bailes da vida, jamais neguei as origens, e junto com Chico Mineiro, fiz muita gente se lembrar de um menino da porteira e depois seguir a ventania do cavalo preto. Lá pelas tantas, quando o som se tornava mais etílico, vi muita gente rindo da italianíssima Concheta, que com uma língua de trapo, espiava num xerox escuro, que mal dava pra ver as letras. Aliás, esse é o melhor momento da violada. Quando diminui o sangue na corrente alcoólica, todo mundo canta, todo mundo sabe a letra, todo mundo vira músico e solta a voz na estrada.

Parabéns a todos os músicos, pelo seu dia e muito obrigado, pelas nossas noites.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Marina, que era bonita com o que Deus lhe deu.


Li, de uma tacada só, as 192 páginas do novo livro de Carlos Ruiz Zafón, “Marina”. Eu já era fã deste espanhol, por ter lido “A Sombra do Vento” e “O Jogo do Anjo”, e quando vi anunciado este lançamento, fiquei curioso por conhecê-lo. Tendo comentado isso com Albany, uma querida amiga apreciadora da boa leitura, ela que já havia comprado, me emprestou. E não fiquei decepcionado. A narrativa é envolvente, aguça a curiosidade e, lugar comum ou não, nos faz não querer largar do livro.
Em “Marina”, um jovem estudante de um internato de Barcelona, narra uma história de suspense, tendo como base o seu relacionamento com a também jovem Marina. Nos anos 1980, andando pelas ruas da cidade, o casal se depara com estranhos personagens e situações, que acabam por coloca-los em uma história que, embora pertencente ao passado, não havia tido o devido desfecho que se imaginava. Repleto de mistérios e suspense a cada instante da narrativa, fui “devorando” as palavras, até encontrar um final inesperado.

No final fiquei com aquela sensação de que queria que a história tivesse continuado e com uma dúvida: - O que acabei de ler era um suspense que conta uma história de amor, ou o contrário?

Se acreditam em mim, boa leitura!

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

As gralhas

Minha dica de leitura é para o livro de Ken Follett, Jackdaws - Agentes Especiais – Editora Rocco – 482 páginas.

Tendo como cenário a Segunda Guerra Mundial, o autor desenvolve uma trama cheia de surpresas e nenhuma monotonia. Trata-se de um grupo feminino de agentes britânicas do S.O.E. – Special Operations Executive, cujo codinome é Jackdaws, são lideradas pela agente Felicity “Flick” Clairet, e com pouquíssimo treinamento, têm a difícil missão de inutilizar uma importante central telefônica alemã, na França ocupada e às vésperas do Dia D.

Com tempo escasso para cumprir a missão, elas são perseguidas por um oficial da inteligência nazista, Dieter Franck, que por diversas vezes é passado para trás por Flick, e isso só faz crescer no alemão a vontade de capturar e se vingar da agente britânica.
Ken Follett

É uma leitura envolvente que, para pessoas visuais como eu, dá a impressão de estar vendo um filme. As histórias de vida e as personalidades de cada um dos personagens, são habilmente descritas pelo autor, dando uma excelente dimensão dos motivos que os levam a tomar decisões e o modo de agir de cada um deles.

Também para quem gosta do tema da Segunda Grande Guerra, o livro tem descrições detalhadas de armas, carros, artimanhas, códigos, disfarces, e tudo o que envolveu a guerra daquela época.

Boa leitura!

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Velhos e bons filmes em preto e branco


Para os que curtem filmes em preto e branco, duas dicas: “Cidadão Kane” e “Doze Homens e uma Sentença”.

Doze Homens e uma Sentença (12 Angry Men) é um drama onde, doze jurados se reúnem para decidir se um réu é culpado ou inocente de um assassinato, sabendo que se for considerado culpado, a pena será a de morte.

Na primeira votação, onze têm plena certeza que ele é culpado, mas um jurado, mesmo não acreditando em sua inocência, também não o considera culpado. Este jurado, contrariando os demais, quer analisar melhor os fatos, e por isso é obrigado a enfrentar, não somente as dificuldades de interpretação dos fatos para achar a inocência do réu, mas principalmente a má vontade e as mágoas dos demais jurados, que estão com muita pressa de se verem livres daquela incumbência.
Estrelado por Henry Fonda, é um filme de 1957 e é ele também que o produz. Praticamente todo rodado dentro de uma sala, caracteriza bem a tensão que se quer mostrar.



Cidadão Kane (Citizen Kane) é um filme intenso e marcante. Estrelado e dirigido por Orson Welles, é um filme de 1941, que segundo se comenta, foi baseado na vida do magnata do jornalismo William Randolph Hearst, o que sempre foi negado por Welles. 

Charles Foster Kane é um menino pobre que acaba construindo um império e se tornando um dos homens mais ricos do mundo.

O filme começa mostrando a morte de Kane e é quando ele pronuncia uma palavra: "Rosebud".
 O jornalista Jerry Thompson (William Alland) é incumbido por seu chefe de investigar a vida de Kane, para descobrir o significado da última palavra dita por ele, e que ninguém sabia o que era. Jerry começa entrevistar as pessoas que tiveram ligação com ele e descobre que foi um homem solitário, que sempre foi obrigado a seguir a vontade alheia, desde menino.

Por ninguém se importar com ele, busca na aquisição de bens, um meio para que obtenha a admiração das pessoas. Ao final, o jornalista conclui que "Charles Foster Kane foi um homem que possuiu tudo o que quis, e depois perdeu tudo. Talvez Rosebud seja algo que ele nunca tenha possuído, ou algo que tenha perdido." Mas fique tranquilo, no final do filme, é revelado o significado de "rosebud".

Também faz parte do elenco, Agnes Moorehead, que interpreta a mãe de Kane, e que depois ficou famosa como Endora, a malvada mãe de Samantha, no famoso seriado de TV A Feiticeira.


O filme Doze Homens, me foi presenteado por um novo amigo de trabalho, o Ronaldo Caravieri, que numa conversa de pós-almoço, descobrimos ter gostos semelhantes para filmes, além de compartilhar a admiração por Senna. Já Cidadão Kane foi presente de meus tesouros, Esther, Martha, Barbara e Arthur, no dia dos pais deste ano. Agradeço a todos por saberem que sou um aficionado por bons filmes e por contribuir para isso.

Vale a pena conferir ambos.