Ao personificar o mal, dando a ele
uma figura, o ser humano passa a atribuir a esse ente a responsabilidade da
maldade que ele próprio comete, ao invés de assumir que essa ação, inerente ao
ser humano, deve ser controlada e dominada, para que não sejamos levados a
cometer injustiças e causar a infelicidade a outrem.
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| A Queda do Homem – Ticiano Vecellio |
Assim, quanto antes o ser humano se
conscientizar que o mal está intrínseco a mente de cada um, e que somente ele
próprio pode subjugar a maldade e fazer florescer a fraternidade, mais cedo alcançaremos
um estado de bem viver. Enquanto creditamos nossas próprias falhas a um
"ser" fora de nós mesmos, mais demorará para nos tornarmos
conscientes da necessidade de mudança própria, mudança pessoal.
Ora, se o mal que eu pratico é por
sugestão de alguém, que não sou eu mesmo, porque preciso mudar minha conduta? Que necessidade há ainda, nos dias de
hoje, de ter uma figura que representa o mal?
Seria tão difícil explicar às pessoas que a maldade fica dentro delas mesmas?
Nossa personalidade, nosso caráter,
nossa formação mental não seria suficientemente desenvolvida para entender que
o mal é praticado por seres humanos, porque assim o decidiram, assim o
quiseram? E não por um ser extra-humano que obriga as pessoas a errar.
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Jesus expulsa os mercadores do templo
Afresco na igreja de São Maurício no Grande Mosteiro de Milão
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Que interesses se ocultam na ideia de
atribuir o mal a um ser fora de nós mesmos?
A resposta talvez seja que, se há uma figura a ser combatida, então podemos oferecer proteção contra ela. Mediante algo em troca, evidentemente. Seria essa a mercadoria a ser vendida por exploradores da fé.
Mas, ao contrário, quando mostramos que a mudança e a rejeição ao mal deve vir de dentro de cada pessoa, então não há como obter ganhos com isso, a não ser para a própria pessoa que se descobre como um ser falível, mas com capacidade de mudar.
Pense nisso.


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