quarta-feira, 15 de abril de 2020

O nome do mal


Ao personificar o mal, dando a ele uma figura, o ser humano passa a atribuir a esse ente a responsabilidade da maldade que ele próprio comete, ao invés de assumir que essa ação, inerente ao ser humano, deve ser controlada e dominada, para que não sejamos levados a cometer injustiças e causar a infelicidade a outrem.

A Queda do Homem – Ticiano Vecellio
Assim, quanto antes o ser humano se conscientizar que o mal está intrínseco a mente de cada um, e que somente ele próprio pode subjugar a maldade e fazer florescer a fraternidade, mais cedo alcançaremos um estado de bem viver. Enquanto creditamos nossas próprias falhas a um "ser" fora de nós mesmos, mais demorará para nos tornarmos conscientes da necessidade de mudança própria, mudança pessoal.


Ora, se o mal que eu pratico é por sugestão de alguém, que não sou eu mesmo, porque preciso mudar minha conduta? Que necessidade há ainda, nos dias de hoje, de ter uma figura que representa o mal?

Seria tão difícil explicar às pessoas que a maldade fica dentro delas mesmas?


Nossa personalidade, nosso caráter, nossa formação mental não seria suficientemente desenvolvida para entender que o mal é praticado por seres humanos, porque assim o decidiram, assim o quiseram? E não por um ser extra-humano que obriga as pessoas a errar.
Jesus expulsa os mercadores do templo
Afresco na igreja de São Maurício no Grande Mosteiro de Milão

Que interesses se ocultam na ideia de atribuir o mal a um ser fora de nós mesmos?

A resposta talvez seja que, se há uma figura a ser combatida, então podemos oferecer proteção contra ela. Mediante algo em troca, evidentemente. Seria essa a mercadoria a ser vendida por exploradores da fé.


Mas, ao contrário, quando mostramos que a mudança e a rejeição ao mal deve vir de dentro de cada pessoa, então não há como obter ganhos com isso, a não ser para a própria pessoa que se descobre como um ser falível, mas com capacidade de mudar.


Pense nisso.

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