domingo, 26 de abril de 2020

Os cravos de abril

Estava para completar 14 anos em maio. Eu ia na escola e ajudava, de vez em quando, na lojinha da família. Nossa casa era na Vila Monteiro e me lembro que neste dia a Vó Maria estava em casa. Assistindo televisão, lembro de uma interrupção da programação, achei essa, mas não posso afirmar que era a da época
https://youtu.be/YNRu7YbWRTg
e foi dada a notícia do que estava se passando em Portugal, a queda do governo.
Não me recordo se foi dito que era a chamada Revolução dos Cravos. Provavelmente não. A nota foi lida por Heron Domingues, um dos primeiros âncoras da rede Globo.






Eu não tinha a real noção do que estava ocorrendo no nosso país, e nas escolas nos ensinavam que vivíamos em uma democracia (imaginem só) em que o presidente era escolhido de forma indireta. Na São Carlos daquele tempo, as questões políticas não eram nenhuma prioridade para mim, e nem para a minha família. Estávamos na busca de viver, pagando aluguel de casa, tirando um dinheirinho de uma lojinha (bazar) e seguindo a vida.


Então, a notícia na televisão foi dada como se fosse um problemão para os portugueses, e só tempos depois fui entender que, na verdade, havia uma preocupação no Brasil, de que a revolução portuguesa pudesse suscitar algo semelhante aqui, já que estávamos no décimo ano do golpe militar que derrubou um regime democrático e implantou uma ditadura no nosso país.

É assim que me lembro desse momento da história
.




quarta-feira, 22 de abril de 2020

O COVID-19 e o VITILIGO


NOTA IMPORTANTE: Este material tem como finalidade ajudar a quem, assim como eu e minha esposa, está buscando informações a respeito da interação entre COVID-19 e VITILIGO. É uma livre tradução de uma página do site da UMASS Medical School, que foi publicado no dia 14 de março de 2020. É muito importante que seja verificado toda e qualquer atualização sobre o tema, antes de tomar estas como informações finais.






Corona vírus e vitiligo

Publicado: Sábado, 14/03/2020



Muitos estão me perguntando se os indivíduos com vitiligo estão em maior risco de contrair o novo corona vírus, o COVID-19, responsável por uma pandemia em andamento. No geral, a resposta é não. Imaginei que dedicaria algum tempo para escrever este blog enquanto eu e minha família estivéssemos "socialmente distanciados" a fim de retardar a propagação da pandemia em nossa pequena parte do mundo. Então, estamos presos em nossa casa e pensando em todos que estão preocupados com o que essa pandemia significa para eles e seus entes queridos.

O vitiligo é uma doença de pele autoimune, o que significa que alguém com vitiligo tem um sistema imunológico que está apresentando um mau funcionamento em pequena escala. O papel normal do sistema imunológico é protegê-lo contra infecções e câncer. Assim como qualquer característica que você possa ter (altura, peso, cor do cabelo etc.), sua composição genética pode influenciar a qualidade e a força de sua resposta imune. No vitiligo, as células imunológicas estão atacando os melanócitos, ou células pigmentares, mesmo que as células não sejam perigosas.

Assim, como algumas pessoas são muito altas, outras são muito baixas e a maioria está em algum lugar no meio, algumas pessoas têm um sistema imunológico muito forte em uma área, muito fraco em uma outra área ou em algum lugar no meio. Indivíduos com vitiligo têm uma resposta imune muito forte contra seus melanócitos, o que resulta nessas células normais sendo mortas e manchas brancas aparecendo onde isso aconteceu, porque não conseguem mais pigmentar. Sob certa perspectiva, isso é realmente bom, pois significa que eles têm um risco menor de desenvolver melanoma e outros cânceres de pele (é o que essa parte da resposta imune deve estar fazendo - protegendo do melanoma). Então esse “mal funcionamento” do sistema imunológico, está causando manchas brancas na pele, mas também está diminuindo as chances de câncer de pele - acho que isso é "bom" ou "ruim" depende da sua perspectiva.

Mas, de qualquer maneira que você olhe, isso não significa que seu sistema imunológico esteja fraco porque você tem vitiligo. Na verdade, isso significa que é um pouco forte demais, então você provavelmente NÃO é mais suscetível ao corona vírus ou a qualquer outro vírus. Alguns de meus pacientes relatam que têm menos infecções do que seus amigos e familiares, e isso pode refletir o fato de o sistema imunológico estar um pouco hiperativo. Mas só porque o sistema imunológico é hiperativo em um aspecto pequeno (contra os melanócitos), isso não significa necessariamente que ele é forte em todos os aspectos, então todos provavelmente são um pouco diferentes. Mas, em geral a mensagem final, é que ter vitiligo não significa que seu sistema imunológico esteja fraco ou que é mais provável que você tenha uma infecção.

Obviamente, sempre há exceções à regra. Em casos muito raros, os pacientes sofrem de doenças autoimunes porque seu sistema imunológico apresenta um mau funcionamento mais significativo que pode aumentar a probabilidade de desenvolver VITILIGO (ou outras doenças autoimunes) E INFECÇÕES. Este não é o caso da maioria das pessoas, e se você tivesse uma dessas síndromes, provavelmente já a conheceria. Um exemplo disso é a Síndrome de Imunodeficiência Variável Comum (IDCV), e eu só vi uma ou duas pessoas com isso em toda a minha carreira. Então, novamente, isso é muito incomum e não sabemos ao certo por que o sistema imunológico funciona dessa maneira nessas pessoas, mas a maioria das pessoas com vitiligo NÃO tem isso.

Outra ressalva a se considerar é quando os pacientes com vitiligo estão usando tratamentos para prevenir a propagação de sua doença ou revertê-la. A maioria desses medicamentos suprime o sistema imunológico de alguma forma, uma vez que a causa central do vitiligo é a autoimunidade ou hiperatividade da resposta imune. De fato, é para isso que eles agem. Muitos estão usando pomadas ou cremes tópicos, e estes têm um risco MUITO baixo (ou NÃO têm risco) de afetar sua capacidade de combater as infecções, uma vez que muito pouco, se houver, do medicamento vai além da pele. Além disso, muitos outros estão usando tratamentos de luz UVB de banda estreita, que novamente afetam apenas a pele e isso não é mais perigoso do que sair ao sol (na verdade, muito MENOS perigoso, mas esse é outro assunto).

Algumas pessoas estão tomando baixas doses de esteróides via oral, que usamos para impedir a propagação do vitiligo em pessoas com doenças muito ativas. Eu costumo usar dexametasona em apenas 2 dias por semana por cerca de 3 meses, porque parece funcionar muito bem e não tem efeitos colaterais para a maioria das pessoas. Em teoria, isso pode afetar o sistema imunológico mesmo além da pele, porque é tomado por via oral. No entanto, praticamente não vimos riscos aumentados de infecção em pacientes que tomam dessa maneira, provavelmente porque é uma dose muito baixa. Por ser tão bem tolerado, gostamos de usá-lo quando necessário. [ N.T.: Nunca se automedique. Procure sempre a orientação de um médico. ]

Finalmente, alguns pacientes estão tomando medicamentos mais novos off-label (que são os medicamentos que são aprovados pela FDA para uma doença, mas usados para outra) ou como parte de um ensaio clínico. Os exemplos incluem os novos inibidores de JAK, como Xeljanz (tofacitinibe) e Jakafi (ruxolitinibe), bem como algumas versões mais recentes que ainda nem têm nomes reais. Novamente, os usados topicamente não parecem ter nenhum efeito no sistema imunológico fora da pele. Algumas pessoas estão tomando inibidores orais do JAK para vitiligo, Xeljanz off-label ou medicamentos mais recentes em um ensaio clínico. Para ser completamente honesto, ainda não sabemos como esses medicamentos afetarão as respostas a infecções como o corona vírus. Eles são um tanto "direcionados", o que significa que não estão apenas suprimindo toda a resposta imune, estão afetando apenas uma parte dela, a parte que está causando autoimunidade no vitiligo e em outras doenças. Mas ainda não sabemos todos os detalhes sobre como o sistema imunológico funciona, por isso estamos trabalhando para melhorar esse entendimento. Para tornar as coisas ainda mais complicadas, alguns médicos estão atualmente usando inibidores JAK para tratar pessoas com infecções graves por corona vírus, pois aparentemente os sintomas mais graves são de uma reação exagerada do sistema imunológico ao vírus, o que prejudica os pulmões. Portanto, esses medicamentos podem até ajudar aqueles que estão infectados de alguma forma. [ N.T.: Nunca se automedique. Procure sempre a orientação de um médico. ]

Em resumo, na maioria dos casos, você não corre um risco maior de contrair COVID-19 se tiver vitiligo. Se você estiver tomando medicamentos para o vitiligo e ainda estiver preocupado com a forma como isso pode afetá-lo, converse com seu médico. E, como dizemos a todos, faça sua parte para impedir a propagação do vírus durante esta pandemia, lavando as mãos, não se reunindo em grandes grupos e encontrando pessoas por telefone ou videoconferência em vez de pessoalmente, quando possível. Existem três coisas que afetam a propagação do vírus:
1. quantas pessoas estão infectadas hoje,
2. quantas pessoas elas entram em contato todos os dias e
3. a rapidez com que o vírus é capaz de se espalhar.

Você pode afetar duas dessas variáveis limitando o contato com outras pessoas e lavando as mãos regularmente.

Nós vamos superar isso, mas temos que trabalhar juntos e apoiar um ao outro. Nós da VITILIGO CLINIC & RESEARCH CENTER estamos pensando em como podemos ajudar com isso. De acordo com a política da UMass, paramos nossa pesquisa por algumas semanas. Não se preocupe, voltaremos à nossa busca de cura o mais rápido possível. Também estamos pensando em como podemos limitar a disseminação na clínica e discutir políticas agora.

Fique ligado!

quarta-feira, 15 de abril de 2020

O nome do mal


Ao personificar o mal, dando a ele uma figura, o ser humano passa a atribuir a esse ente a responsabilidade da maldade que ele próprio comete, ao invés de assumir que essa ação, inerente ao ser humano, deve ser controlada e dominada, para que não sejamos levados a cometer injustiças e causar a infelicidade a outrem.

A Queda do Homem – Ticiano Vecellio
Assim, quanto antes o ser humano se conscientizar que o mal está intrínseco a mente de cada um, e que somente ele próprio pode subjugar a maldade e fazer florescer a fraternidade, mais cedo alcançaremos um estado de bem viver. Enquanto creditamos nossas próprias falhas a um "ser" fora de nós mesmos, mais demorará para nos tornarmos conscientes da necessidade de mudança própria, mudança pessoal.


Ora, se o mal que eu pratico é por sugestão de alguém, que não sou eu mesmo, porque preciso mudar minha conduta? Que necessidade há ainda, nos dias de hoje, de ter uma figura que representa o mal?

Seria tão difícil explicar às pessoas que a maldade fica dentro delas mesmas?


Nossa personalidade, nosso caráter, nossa formação mental não seria suficientemente desenvolvida para entender que o mal é praticado por seres humanos, porque assim o decidiram, assim o quiseram? E não por um ser extra-humano que obriga as pessoas a errar.
Jesus expulsa os mercadores do templo
Afresco na igreja de São Maurício no Grande Mosteiro de Milão

Que interesses se ocultam na ideia de atribuir o mal a um ser fora de nós mesmos?

A resposta talvez seja que, se há uma figura a ser combatida, então podemos oferecer proteção contra ela. Mediante algo em troca, evidentemente. Seria essa a mercadoria a ser vendida por exploradores da fé.


Mas, ao contrário, quando mostramos que a mudança e a rejeição ao mal deve vir de dentro de cada pessoa, então não há como obter ganhos com isso, a não ser para a própria pessoa que se descobre como um ser falível, mas com capacidade de mudar.


Pense nisso.

domingo, 27 de abril de 2014

Mágica de costura

Todo dia, pela manhã ela me aprontava e me mandava para a escola, depois ia para seus afazeres cotidianos. Quando eu voltava, almoço pronto, almoçar, lições de casa e... brincar. Mas várias vezes, nas tardes da minha infância, eu me lembro de ficar montando meus carrinhos e aviõezinhos ali, no pé de uma máquina de costura, tocada a pedal.

Em tempos de dinheiro escasso, ela defendia algum (e às vezes único) dinheirinho fazendo roupas. As freguesas traziam as peças de tecido, os carretéis de linha, zíper, botões e a revista de moda que viu o vestido e, pronto, era o suficiente para que ela, como uma alquimista de pano e agulha, transformasse o sonho da freguesa na mais concreta realidade.

Ela me contou uma vez que o meu nome foi escolhido como uma homenagem a um santo, que a ajudava nos momentos de cortar os tecidos, por ter sido ele um alfaiate. E assim, rezando ao santo para guiar sua tesoura pelo caminho correto do pano, ela ia cortando, costurando e finalizando as roupas das suas freguesas.

Então, um dia ela ficou sabendo de um método (Magic Corte) que ensinava como riscar e cortar roupas, e resolveu aprender. Foi ao SESI, fez inscrição e, à noite, eu ia com ela aprender como usar os gabaritos para fazer todo tipo de roupa. Eu só a acompanhava, mas acabei vendo e aprendendo um pouco como fazer os riscos que seriam a guia para o corte do tecido. E ela ia cada dia mais, melhorando e aperfeiçoando sua costura, usando a mágica dos gabaritos e dando uma força ao santo, que tinha lá seus outros afazeres.

Depois de um tempo, com um dinheirinho poupado aqui, uma costurinha a mais dali, ela empreendeu a compra de uma nova máquina de costura, que tem até hoje. Essa sim, elétrica, cheia das bobinas e funções que agregavam ainda mais valor às roupas que ela fazia. E por muito tempo, Dona Ambrozina, como sempre foi chamada pelas freguesas, foi construindo sua fama de grande costureira. E eu, cresci, mas nunca me esqueci dos dias ao pé da máquina, da correia de couro fino que às vezes escapava, da compra de linha em retrós ou carretel, de riscos com gabaritos e de idas e vindas ao SESI com ela.


Saudade boa!

terça-feira, 16 de abril de 2013

Como funciona um implante coclear


A quem tiver interesse, tenho um texto que se chama "Faça um ruído alegre" - Um manual para pais de crianças surdas ou com deficiência auditiva.
É uma livre tradução do espanhol para o português de “Haga un ruido alegre – un manual para los padres de niños sordos y de audición deficiente” – publicado pela Oraldeaf – https://oberkotterfoundation.org/ – Oberkotter Foundation – que é parte de um kit de importantes informações para pais que recentemente descobriram a surdez ou a deficiência auditiva de seu filho.

Quem quiser recebê-lo, envie um e-mail para geraldo.claro@gmail.com, que terei muito prazer em enviá-lo.



quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Las Mariposas



Começo desta semana, madrugada, zapeando encontrei um filme começando. O nome era sugestivo e a atriz me fez começar a ver o filme, que gostei muito e me levou a guardar em minhas memórias. O nome do filme: “No tempo das borboletas”, a atriz: a mexicana Salma Hayek. Dona de uma beleza quase agressiva, e um grande talento, ela soube dar à personagem real Minerva Mirabal, a grandeza que merecia. Lançado em 2001 com título original de “In the time of the butterflies”, é a história real de uma terrível fase da ditadura do General Rafael Trujillo, El Jefe, tirano interpretado de forma brilhantemente odiável por Edward James Olmos, que assombrou a República Dominicana nos anos de 1930 até 1961.

Minerva Argentina Mirabal, conhecida entre seus amigos como “la mariposa”, tenta mostrar a uma população mantida cega pelo permanente estado de medo, a verdade a respeito de seu ditador, e obviamente acaba sendo caçada, torturada e finalmente morta covardemente pelo regime despótico. Suas irmãs, Antonia María Teresa “Mate” Mirabal (Mía Maestro) e Patria Mercedes Mirabal (Lumi Cavazos), passam a ser conhecidas como Las Mariposas depois que acabam se engajando na luta e são barbaramente mortas junto com Mercedes. Um ano depois da morte de Las Mariposas, Trujillo é assassinado e tem fim seu governo, marcado pela extrema violência.


Cena do filme


A partir de 1999, o dia 25 de novembro, data em que foram emboscadas e mortas em 1960, passa a ser comemorado como o Dia Internacional da Não Violência contra a Mulher, instituído pela ONU. 

Para conhecer um pouco mais sobre esta história, sugiro o excelente texto do Professor Odilon Cabral Machado no link abaixo.



Vale a pena ler e ver o filme.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Corações sujos e mentes confusas


Acabei de ler “Corações Sujos – A história da Shindo Renmei”, de Fernando Morais, Cia. das Letras, devidamente emprestado pela amiga Albany. Enquanto lia eu me intrigava se aquilo havia ocorrido aqui, no Brasil. Foi difícil de acreditar. Não porque duvidasse do excelente trabalho de pesquisa, mas por nunca ter imaginado que aqueles fatos pudessem ter como palco, aquela pacata região.

Em uma das minhas “encarnações”, fui vendedor de calçados e a região da Alta Paulista era uma das que eu atuava. Durou pouco tempo, mas foi o suficiente para sentir esta calma e bucólica região de São Paulo. Jamais poderia relacionar esta região aos fatos narrados na história habilmente contada por Fernando Morais, por quem já havia me tornado fã desde “Olga”.

História real do Brasil, pouquíssimo comentada mas que pode mostrar um pouco do que se passava naquele conturbado momento do país.

Os personagens reais são assim mesmo. Não são nem só mocinhos, nem só bandidos. São vilões com alma de herói e heróis com alma de vilão. Desinformação, desmandos, justiças pelas próprias mãos, enfim, tudo que me faz prender a um livro.

Recomendo ler antes de ver o filme, que já gostei só de ver o trailer.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Yo no creo en brujas, pero...


De um bate papo, cortando o cabelo, momento e local altamente propício à filosofia e divulgação de cultura inútil, surgiu a curiosidade de saber de onde poderiam estar as origens de algumas crendices que estão arraigada em nossa mente, sem sequer darmos conta de onde surgiram e nem se têm algum fundamento. Munido de insônia e curiosidade, lancei-me na blogosfera à garimpar algumas explicações. Não posso garantir nenhuma delas, mas me parecem convencer. Então vamos ver algumas:


QUEBRAR ESPELHO DÁ AZAR
Este objeto, criado na Itália no século XIII, era feito com prata pura, e portanto caríssimo. Que os possuia tinha medo que as pessoas que fossem limpá-los pudessem quebrá-los, e por isso eram advertidas que, caso fossem quebrados, teriam muitos anos de azar.


MANGA COM LEITE
Conta-se que na época do Brasil Colônia, o leite era uma alimento caro, e portanto deveria ser consumido somente pelos patrões e não pelos escravos, os primeiros trataram de espalhar um boato que leite com manga fazia muito mal, uma vez que os escravos gostavam muito dessa fruta, e havia em abundância. Desse modo surgiu a lenda que a mistura faz mal, mas o mal que fazia era para o bolso dos senhores que não queriam dividir o leite com os escravos.


GATO PRETO
Também na Idade Média, acreditava-se que as bruxas, quando transformadas em animais, preferiam fazê-lo na pele de um gato preto. Isso significava que, ao encontrar-se com um gato preto, poderia ser muito provável que o mesmo era uma bruxa disfarçada.


PASSAR POR BAIXO DE ESCADA
Na Idade Média, quando um castelo era atacado, utilizavam-se escadas para poder escalar os altos muros. Contra-atacando os que se arriscavam nessa empreitada, jogavam-se barris de óleo fervente que atingia não somente os que estavam subindo pela escada como também que estava passando por baixo da mesma. Daí o azar.


BATER NA MADEIRA
Ao observar que os raios geralmente caíam nas árvores, os nossos antepassados acreditavam que estas plantas poderiam trazer em seu interior uma morada para divindades que, ao serem requisitadas, deveriam ser acordadas pela batida com o nó dos dedos.




Se você tem uma história, acrescente-a nos comentários e compartilhe seus conhecimentos e colabore para o aumento da cultura inútil, mas lembre-se que são só crendices e superstições, afinal, como diria o velho vigário Quevedo: "isso non eczixte".

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

O primeiro computador a gente nunca esquece.


O primeiro computador que tive acesso, para poder mexer mesmo, foi um TK-82-C, graças à aquisição feita por Antonio José dos Santos, um companheiro de muitas horas que, de alguma forma, já vislumbrava o futuro.

Anos 80. Era um aparelho, (http://www.museo8bits.es/tk82.htm) pouco maior que uma calculadora, com teclado de membrana, que a gente ligava na televisão (aí já começava um grande desafio: a disputa com quem queria ver novelas, filmes, etc. - razão pela qual, diga-se, existia a TV).

Ao ligar, na tela da TV aparecia um cursor, ou seja, um retangulozinho piscando, que era o “prompt”. Este computador tinha uma incrível memória de 2 kb. Isso mesmo, 2 kbytes. Para comparar, hoje um DVD de 4,7Gb poderia conter o equivalente a 2.350.000 TK. Algum tempo depois, esses 2 kbytes ficaram insuficientes, e foi então necessário usar a possibilidade de instalar uma expansão para 16 kbytes. Hoje qualquer celular, do mais simples, tem memória de 16 Gb e é, portanto, 500 mil vezes maior que o TK-82-C expandido.

Tínhamos que aprender a linguagem Basic, para poder programar algo. Mas esta linguagem era bastante acessível, visto que se assemelhava a comandos inteligíveis como: PRINT, FOR – NEXT, IF – THEN – ELSE, GOTO, GOSUB, e tantos outros, sempre em inglês, óbvio.
A opção era uma linguagem chamada Assembler, que consistia um amontoado de hexadecimais, extremamente difícil de aprender: 0A 12 B2 4C, FF 1B E4 28 e por aí vai.





Nessa época, também vendido pela Microdigital, surgiu o TK-83 (http://www.marceloeiras.com.br/museu/propaganda_tk90.htm) e o TK-85 (http://www.mci.org.br/micro/microdigital/tk85.html) com inacreditáveis 64 kb de memória. Apareceram por aqui também o Apple II (http://oldcomputers.net/appleii.html) e o “nacional” CP-500 (http://www.museudocomputador.com.br/cp500.php).

Sabíamos que estávamos muito atrasados em relação a outros países, também na computação, mas mesmo assim era tudo uma grande e deliciosa novidade.







Por volta de 1984 ou 1985, minha irmã, Maria Tereza, comprou um TK 2000 II (http://www.bojoga.com.br/2010/01/17/tk-2000/), com 64 kb de memória e, acreditem, era colorido! Isto é, se fosse ligado a uma TV colorida. Se já era difícil ter uma TV disponível para ligar um computador, imagine se era a colorida. Preciso reconhecer que me apossei descaradamente do computador da minha irmã, e lá fui eu fazer mais joguinhos (Desculpe-me Tê, e muito obrigado). Mas, sem me dar conta, estava desenvolvendo minha capacidade lógica. Algo que me ajuda profissionalmente até os dias de hoje.

Em casa, fizemos muitos joguinhos para usar o que havíamos aprendido em Basic. E foi muito interessante, quando me deparei com um Apple II no laboratório de testes da Pereira Lopes, empresa que eu trabalhava. Graças a outro companheiro, o Sidney Morelli, ter convencido o chefe dele que, se comprasse um computador pessoal, poderia fazer o monitoramento 24 horas de alguns testes de geladeiras. (O Ney que me perdoe se estou enganado a este respeito).

E da produção de joguinhos, conheci e passei a usar ferramentas como Lotus 1-2-3, Wordstar e poucos outros programas disponíveis, mas aí vieram os “poderosos” PC-XT (http://be8bits.com/?p=147), PC-AT 286, 386, 486 e finalmente “Pentium”, e com eles a estratosférica gama de programas que é impossível conhecermos todos.

Ok, chega de saudosismos e naftalina, mas as vezes me pego pensando: E como será o computador do futuro?



Como este da foto?




Ou talvez como este do vídeo?


Ou seria melhor questionar: Haverá computador?

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Mensagem de Final de Ano 2011


Mantendo a tradição que comecei no ano passado, quero deixar aqui registrado minha mensagem de final de ano, a todos que por aqui passaram e me prestigiaram com sua visita.

Para isso, vou me valer de um livro que sempre retorna às minhas divagações, e com grifos meus, faço aqui a transcrição da passagem em que a raposa explica a O Pequeno Príncipe o significado de “cativar”.

- Que quer dizer cativar? – perguntou o príncipe.

- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. - Significa criar laços...

- Criar laços?

- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos.

- E eu não tenho necessidade de ti.

- E tu não tens necessidade de mim.

- Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo... Mas a raposa voltou a sua ideia:

- Minha vida é monótona. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei o barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora como música.

- E depois, olha! Vês, lá longe, o campo de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram de coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelo cor de ouro. E então serás maravilhoso quando me tiverdes cativado. O trigo que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento do trigo...

A raposa então se calou e considerou muito tempo o príncipe:

- Por favor, cativa-me! - disse ela.

- Bem quisera, disse o príncipe, mas eu não tenho tempo. Tenho amigos a descobrir e mundos a conhecer.

- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não tem tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres uma amiga, cativa-me!

- Os homens esqueceram a verdade, disse a raposa.

- Mas tu não a deves esquecer.

Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”.

Eu desejo a todos a quem eu cativei ou por quem fui cativado, que estejamos dando a devida atenção aos nossos laços.

Mas, se tu fores um que cativei e que estou em dívida contigo, se ainda tiveres a bondade para relevar, por favor, deixe-me saber disso.

Feliz Natal e um 2012 repleto de novos laços.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

22 de Novembro - Dia do Músico


Hoje é dia do músico. Ser que tira o som de onde não há, faz vibrar um tom roubado da natureza, acrescenta ou não a poesia e lança um encanto, que de magia enche o momento.

A pouco me dei conta que, nas partituras ou partes duras da vida, sempre estive ligado de algum modo a música. No berço, fui embalado por um som de viola, daquela cabocla mesmo, lavrada da madeira, riscada no fogo e polida com cera. De ponteado em ponteado, para a paz do sono ia sendo levado. Pinho que era acariciado pelo Seu Tunico, caboclo brabo, talhado nas dificuldades da vida, e desde muito menino, desafiado na dureza da realidade. De quando em vez, Dona Ambrozina me ninava com uma canção lembrada da sua curta infância, quase perdida nos cantões da memória.

Nunca consegui aprender um acorde sequer nas dez cordas da viola, e tive que me contentar com as seis do violão, trilhado nos vigus das bancas, que até hoje guardo em pasta, já amarelados pelo tempo, mas com muitas letras e acordes gravados na memória. Toquei em missa, quando ainda me fazia sentido, em serenata, em festas, e até em festivais me aventurei.

Acompanhado pelo coral das três meninas do Brasil, afirmamos que I want to go back to Bahia, sem nunca termos estado lá. Mas que nada, quantas vezes entrei numa wave, para não deixar que o cotidiano me engolisse, nem o nº 2, afinal eu ainda tenho meu violão. Pelos bailes da vida, jamais neguei as origens, e junto com Chico Mineiro, fiz muita gente se lembrar de um menino da porteira e depois seguir a ventania do cavalo preto. Lá pelas tantas, quando o som se tornava mais etílico, vi muita gente rindo da italianíssima Concheta, que com uma língua de trapo, espiava num xerox escuro, que mal dava pra ver as letras. Aliás, esse é o melhor momento da violada. Quando diminui o sangue na corrente alcoólica, todo mundo canta, todo mundo sabe a letra, todo mundo vira músico e solta a voz na estrada.

Parabéns a todos os músicos, pelo seu dia e muito obrigado, pelas nossas noites.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Marina, que era bonita com o que Deus lhe deu.


Li, de uma tacada só, as 192 páginas do novo livro de Carlos Ruiz Zafón, “Marina”. Eu já era fã deste espanhol, por ter lido “A Sombra do Vento” e “O Jogo do Anjo”, e quando vi anunciado este lançamento, fiquei curioso por conhecê-lo. Tendo comentado isso com Albany, uma querida amiga apreciadora da boa leitura, ela que já havia comprado, me emprestou. E não fiquei decepcionado. A narrativa é envolvente, aguça a curiosidade e, lugar comum ou não, nos faz não querer largar do livro.
Em “Marina”, um jovem estudante de um internato de Barcelona, narra uma história de suspense, tendo como base o seu relacionamento com a também jovem Marina. Nos anos 1980, andando pelas ruas da cidade, o casal se depara com estranhos personagens e situações, que acabam por coloca-los em uma história que, embora pertencente ao passado, não havia tido o devido desfecho que se imaginava. Repleto de mistérios e suspense a cada instante da narrativa, fui “devorando” as palavras, até encontrar um final inesperado.

No final fiquei com aquela sensação de que queria que a história tivesse continuado e com uma dúvida: - O que acabei de ler era um suspense que conta uma história de amor, ou o contrário?

Se acreditam em mim, boa leitura!

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

As gralhas

Minha dica de leitura é para o livro de Ken Follett, Jackdaws - Agentes Especiais – Editora Rocco – 482 páginas.

Tendo como cenário a Segunda Guerra Mundial, o autor desenvolve uma trama cheia de surpresas e nenhuma monotonia. Trata-se de um grupo feminino de agentes britânicas do S.O.E. – Special Operations Executive, cujo codinome é Jackdaws, são lideradas pela agente Felicity “Flick” Clairet, e com pouquíssimo treinamento, têm a difícil missão de inutilizar uma importante central telefônica alemã, na França ocupada e às vésperas do Dia D.

Com tempo escasso para cumprir a missão, elas são perseguidas por um oficial da inteligência nazista, Dieter Franck, que por diversas vezes é passado para trás por Flick, e isso só faz crescer no alemão a vontade de capturar e se vingar da agente britânica.
Ken Follett

É uma leitura envolvente que, para pessoas visuais como eu, dá a impressão de estar vendo um filme. As histórias de vida e as personalidades de cada um dos personagens, são habilmente descritas pelo autor, dando uma excelente dimensão dos motivos que os levam a tomar decisões e o modo de agir de cada um deles.

Também para quem gosta do tema da Segunda Grande Guerra, o livro tem descrições detalhadas de armas, carros, artimanhas, códigos, disfarces, e tudo o que envolveu a guerra daquela época.

Boa leitura!

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Velhos e bons filmes em preto e branco


Para os que curtem filmes em preto e branco, duas dicas: “Cidadão Kane” e “Doze Homens e uma Sentença”.

Doze Homens e uma Sentença (12 Angry Men) é um drama onde, doze jurados se reúnem para decidir se um réu é culpado ou inocente de um assassinato, sabendo que se for considerado culpado, a pena será a de morte.

Na primeira votação, onze têm plena certeza que ele é culpado, mas um jurado, mesmo não acreditando em sua inocência, também não o considera culpado. Este jurado, contrariando os demais, quer analisar melhor os fatos, e por isso é obrigado a enfrentar, não somente as dificuldades de interpretação dos fatos para achar a inocência do réu, mas principalmente a má vontade e as mágoas dos demais jurados, que estão com muita pressa de se verem livres daquela incumbência.
Estrelado por Henry Fonda, é um filme de 1957 e é ele também que o produz. Praticamente todo rodado dentro de uma sala, caracteriza bem a tensão que se quer mostrar.



Cidadão Kane (Citizen Kane) é um filme intenso e marcante. Estrelado e dirigido por Orson Welles, é um filme de 1941, que segundo se comenta, foi baseado na vida do magnata do jornalismo William Randolph Hearst, o que sempre foi negado por Welles. 

Charles Foster Kane é um menino pobre que acaba construindo um império e se tornando um dos homens mais ricos do mundo.

O filme começa mostrando a morte de Kane e é quando ele pronuncia uma palavra: "Rosebud".
 O jornalista Jerry Thompson (William Alland) é incumbido por seu chefe de investigar a vida de Kane, para descobrir o significado da última palavra dita por ele, e que ninguém sabia o que era. Jerry começa entrevistar as pessoas que tiveram ligação com ele e descobre que foi um homem solitário, que sempre foi obrigado a seguir a vontade alheia, desde menino.

Por ninguém se importar com ele, busca na aquisição de bens, um meio para que obtenha a admiração das pessoas. Ao final, o jornalista conclui que "Charles Foster Kane foi um homem que possuiu tudo o que quis, e depois perdeu tudo. Talvez Rosebud seja algo que ele nunca tenha possuído, ou algo que tenha perdido." Mas fique tranquilo, no final do filme, é revelado o significado de "rosebud".

Também faz parte do elenco, Agnes Moorehead, que interpreta a mãe de Kane, e que depois ficou famosa como Endora, a malvada mãe de Samantha, no famoso seriado de TV A Feiticeira.


O filme Doze Homens, me foi presenteado por um novo amigo de trabalho, o Ronaldo Caravieri, que numa conversa de pós-almoço, descobrimos ter gostos semelhantes para filmes, além de compartilhar a admiração por Senna. Já Cidadão Kane foi presente de meus tesouros, Esther, Martha, Barbara e Arthur, no dia dos pais deste ano. Agradeço a todos por saberem que sou um aficionado por bons filmes e por contribuir para isso.

Vale a pena conferir ambos.