terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Mensagem de Final de Ano 2011


Mantendo a tradição que comecei no ano passado, quero deixar aqui registrado minha mensagem de final de ano, a todos que por aqui passaram e me prestigiaram com sua visita.

Para isso, vou me valer de um livro que sempre retorna às minhas divagações, e com grifos meus, faço aqui a transcrição da passagem em que a raposa explica a O Pequeno Príncipe o significado de “cativar”.

- Que quer dizer cativar? – perguntou o príncipe.

- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. - Significa criar laços...

- Criar laços?

- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos.

- E eu não tenho necessidade de ti.

- E tu não tens necessidade de mim.

- Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo... Mas a raposa voltou a sua ideia:

- Minha vida é monótona. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei o barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora como música.

- E depois, olha! Vês, lá longe, o campo de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram de coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelo cor de ouro. E então serás maravilhoso quando me tiverdes cativado. O trigo que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento do trigo...

A raposa então se calou e considerou muito tempo o príncipe:

- Por favor, cativa-me! - disse ela.

- Bem quisera, disse o príncipe, mas eu não tenho tempo. Tenho amigos a descobrir e mundos a conhecer.

- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não tem tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres uma amiga, cativa-me!

- Os homens esqueceram a verdade, disse a raposa.

- Mas tu não a deves esquecer.

Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”.

Eu desejo a todos a quem eu cativei ou por quem fui cativado, que estejamos dando a devida atenção aos nossos laços.

Mas, se tu fores um que cativei e que estou em dívida contigo, se ainda tiveres a bondade para relevar, por favor, deixe-me saber disso.

Feliz Natal e um 2012 repleto de novos laços.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

22 de Novembro - Dia do Músico


Hoje é dia do músico. Ser que tira o som de onde não há, faz vibrar um tom roubado da natureza, acrescenta ou não a poesia e lança um encanto, que de magia enche o momento.

A pouco me dei conta que, nas partituras ou partes duras da vida, sempre estive ligado de algum modo a música. No berço, fui embalado por um som de viola, daquela cabocla mesmo, lavrada da madeira, riscada no fogo e polida com cera. De ponteado em ponteado, para a paz do sono ia sendo levado. Pinho que era acariciado pelo Seu Tunico, caboclo brabo, talhado nas dificuldades da vida, e desde muito menino, desafiado na dureza da realidade. De quando em vez, Dona Ambrozina me ninava com uma canção lembrada da sua curta infância, quase perdida nos cantões da memória.

Nunca consegui aprender um acorde sequer nas dez cordas da viola, e tive que me contentar com as seis do violão, trilhado nos vigus das bancas, que até hoje guardo em pasta, já amarelados pelo tempo, mas com muitas letras e acordes gravados na memória. Toquei em missa, quando ainda me fazia sentido, em serenata, em festas, e até em festivais me aventurei.

Acompanhado pelo coral das três meninas do Brasil, afirmamos que I want to go back to Bahia, sem nunca termos estado lá. Mas que nada, quantas vezes entrei numa wave, para não deixar que o cotidiano me engolisse, nem o nº 2, afinal eu ainda tenho meu violão. Pelos bailes da vida, jamais neguei as origens, e junto com Chico Mineiro, fiz muita gente se lembrar de um menino da porteira e depois seguir a ventania do cavalo preto. Lá pelas tantas, quando o som se tornava mais etílico, vi muita gente rindo da italianíssima Concheta, que com uma língua de trapo, espiava num xerox escuro, que mal dava pra ver as letras. Aliás, esse é o melhor momento da violada. Quando diminui o sangue na corrente alcoólica, todo mundo canta, todo mundo sabe a letra, todo mundo vira músico e solta a voz na estrada.

Parabéns a todos os músicos, pelo seu dia e muito obrigado, pelas nossas noites.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Marina, que era bonita com o que Deus lhe deu.


Li, de uma tacada só, as 192 páginas do novo livro de Carlos Ruiz Zafón, “Marina”. Eu já era fã deste espanhol, por ter lido “A Sombra do Vento” e “O Jogo do Anjo”, e quando vi anunciado este lançamento, fiquei curioso por conhecê-lo. Tendo comentado isso com Albany, uma querida amiga apreciadora da boa leitura, ela que já havia comprado, me emprestou. E não fiquei decepcionado. A narrativa é envolvente, aguça a curiosidade e, lugar comum ou não, nos faz não querer largar do livro.
Em “Marina”, um jovem estudante de um internato de Barcelona, narra uma história de suspense, tendo como base o seu relacionamento com a também jovem Marina. Nos anos 1980, andando pelas ruas da cidade, o casal se depara com estranhos personagens e situações, que acabam por coloca-los em uma história que, embora pertencente ao passado, não havia tido o devido desfecho que se imaginava. Repleto de mistérios e suspense a cada instante da narrativa, fui “devorando” as palavras, até encontrar um final inesperado.

No final fiquei com aquela sensação de que queria que a história tivesse continuado e com uma dúvida: - O que acabei de ler era um suspense que conta uma história de amor, ou o contrário?

Se acreditam em mim, boa leitura!

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

As gralhas

Minha dica de leitura é para o livro de Ken Follett, Jackdaws - Agentes Especiais – Editora Rocco – 482 páginas.

Tendo como cenário a Segunda Guerra Mundial, o autor desenvolve uma trama cheia de surpresas e nenhuma monotonia. Trata-se de um grupo feminino de agentes britânicas do S.O.E. – Special Operations Executive, cujo codinome é Jackdaws, são lideradas pela agente Felicity “Flick” Clairet, e com pouquíssimo treinamento, têm a difícil missão de inutilizar uma importante central telefônica alemã, na França ocupada e às vésperas do Dia D.

Com tempo escasso para cumprir a missão, elas são perseguidas por um oficial da inteligência nazista, Dieter Franck, que por diversas vezes é passado para trás por Flick, e isso só faz crescer no alemão a vontade de capturar e se vingar da agente britânica.
Ken Follett

É uma leitura envolvente que, para pessoas visuais como eu, dá a impressão de estar vendo um filme. As histórias de vida e as personalidades de cada um dos personagens, são habilmente descritas pelo autor, dando uma excelente dimensão dos motivos que os levam a tomar decisões e o modo de agir de cada um deles.

Também para quem gosta do tema da Segunda Grande Guerra, o livro tem descrições detalhadas de armas, carros, artimanhas, códigos, disfarces, e tudo o que envolveu a guerra daquela época.

Boa leitura!

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Velhos e bons filmes em preto e branco


Para os que curtem filmes em preto e branco, duas dicas: “Cidadão Kane” e “Doze Homens e uma Sentença”.

Doze Homens e uma Sentença (12 Angry Men) é um drama onde, doze jurados se reúnem para decidir se um réu é culpado ou inocente de um assassinato, sabendo que se for considerado culpado, a pena será a de morte.

Na primeira votação, onze têm plena certeza que ele é culpado, mas um jurado, mesmo não acreditando em sua inocência, também não o considera culpado. Este jurado, contrariando os demais, quer analisar melhor os fatos, e por isso é obrigado a enfrentar, não somente as dificuldades de interpretação dos fatos para achar a inocência do réu, mas principalmente a má vontade e as mágoas dos demais jurados, que estão com muita pressa de se verem livres daquela incumbência.
Estrelado por Henry Fonda, é um filme de 1957 e é ele também que o produz. Praticamente todo rodado dentro de uma sala, caracteriza bem a tensão que se quer mostrar.



Cidadão Kane (Citizen Kane) é um filme intenso e marcante. Estrelado e dirigido por Orson Welles, é um filme de 1941, que segundo se comenta, foi baseado na vida do magnata do jornalismo William Randolph Hearst, o que sempre foi negado por Welles. 

Charles Foster Kane é um menino pobre que acaba construindo um império e se tornando um dos homens mais ricos do mundo.

O filme começa mostrando a morte de Kane e é quando ele pronuncia uma palavra: "Rosebud".
 O jornalista Jerry Thompson (William Alland) é incumbido por seu chefe de investigar a vida de Kane, para descobrir o significado da última palavra dita por ele, e que ninguém sabia o que era. Jerry começa entrevistar as pessoas que tiveram ligação com ele e descobre que foi um homem solitário, que sempre foi obrigado a seguir a vontade alheia, desde menino.

Por ninguém se importar com ele, busca na aquisição de bens, um meio para que obtenha a admiração das pessoas. Ao final, o jornalista conclui que "Charles Foster Kane foi um homem que possuiu tudo o que quis, e depois perdeu tudo. Talvez Rosebud seja algo que ele nunca tenha possuído, ou algo que tenha perdido." Mas fique tranquilo, no final do filme, é revelado o significado de "rosebud".

Também faz parte do elenco, Agnes Moorehead, que interpreta a mãe de Kane, e que depois ficou famosa como Endora, a malvada mãe de Samantha, no famoso seriado de TV A Feiticeira.


O filme Doze Homens, me foi presenteado por um novo amigo de trabalho, o Ronaldo Caravieri, que numa conversa de pós-almoço, descobrimos ter gostos semelhantes para filmes, além de compartilhar a admiração por Senna. Já Cidadão Kane foi presente de meus tesouros, Esther, Martha, Barbara e Arthur, no dia dos pais deste ano. Agradeço a todos por saberem que sou um aficionado por bons filmes e por contribuir para isso.

Vale a pena conferir ambos.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Mercadologia do favorecimento.

Se realmente há uma constante reverberação do sinótico linguajar de uma límpida e cristalina sensação de súbito acaloramento, então este degringolar de afazeres, resulta em uma rápida e decisiva consternação.

Isso ocorre, devido às constantes tentativas de alinhamentos de astros das mais infindáveis constelações, que nos faz recordar de antigos elementos deixados à mercê da história, para que servissem, talvez, de uma postulação incongruente de insanidade, que a partir de um ponto de vista mais hipoalérgico, conduz todo o hemisfério setentrional, a uma relutante conexão de dislexia.

Ora, se nós, seres intergalácticos que somos, conseguimos nos aprimorar de celuloides inclementes de pura revelia, logo toda a incompleta cardiopatia apresentada, resultará de amores perfeitos, mas não infinitos.

Se continuarmos nessa linha de apresentação, poderemos concluir mais adiante que, embora perplexos, acabaremos em um infinito amplexo solar, de forma a regurgitar todo um passado de solventes definidos como automobilísticos.

Dessa forma, concluindo meu mais preclaro raciocínio, consigo sem relutância, afirmar peremptoriamente que: jamais, em momentos ímpares de nossa seleta competição, sequer encontramos significados incólumes.

Caso tenha tomado a semelhante decisão de, tal como este escriba, perder o seu tempo e o de outros incautos leitores, publicando semelhante histrionismo, desista!

Será melhor para todos!

E tenho dito! (ou escrito!)

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Um olhar do Paraiso

Depois de ver na TV, andei buscando material para escrever a respeito do filme “Um Olhar no Paraiso” – The Lovely Bones – EUA – 2009 – direção: Peter Jackson – elenco: Saoirse Ronan (Desejo e Reparação) é Susie Salmon (saoirse em irlandês significa liberdade), Rachel Weisz (a Evelyn de A Múmia) e Mark Wahlberg (Max Payne) como pais de Susie, Susan Sarandon (Thelma & Luise, O Óleo de Lorenzo, Um Amor de Verão), é a avó dela e Stanley Tucci (o Nigel de O Diabo Veste Prada) interpretando George Harvey, o assassino.


Sinopse: Em 6 de dezembro de 1973, Susie Salmon é estuprada e assassinada por seu vizinho, George Harvey, um assassino em série de jovens garotas e mulheres. Depois de um ano após a morte de Susie, seu pai começa a desconfiar do vizinho e começa a procurar por provas para incriminá-lo. Com o tempo, também sua irmã começa a desconfiar do Sr. Harvey. 

Susie não vai para o paraíso. Ela fica numa espécie de limbo e observa seu assassino. O motivo para a estada dela neste lugar intermediário entre a Terra e o paraíso é o fato de não ter se conformado com a morte e por desejar vingança contra o assassino que, depois de acabar com as pistas com êxito, se prepara para matar novamente. Susie luta para consumar o seu desejo de vingança contra Harvey e seu desejo de ver sua família se recuperar de sua perda.
Para minha surpresa só vi críticas duras, e quase todas mencionando o uso excessivo do visual. Pode ser ingenuidade minha, mas foi justamente o que mais me encantou no filme. A história é densa, em momentos chega a ser sufocante, mas o visual é simplesmente maravilhoso. Surpreende a cada tomada.
Há uma sequencia onde, após sua morte, Susie esta na praia, vendo garrafas com barcos montados em seu interior, navegando pelo mar, quando seu pai, em outra dimensão e num momento de desespero, começa a quebrar sua coleção de garrafas, Susie vê as garrafas se espatifarem nas pedras da praia.

Afinal, o que é o cinema senão uma história contada através de imagens. O que querem os críticos deste filme? Uma história contada através de palavras? Que leiam livros!

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Bang-bang do bom.

Dia destes, madrugada à dentro, falta de sono, dei de cara com um bang-bang. Este gênero nunca foi o meu predileto, mas também nunca o rejeitei. Estava bem no início, e o ator me chamou a atenção, Ed Harris (O Show de Truman, Pollock, Apollo 13). Isso significava que a produção era recente, ou pelo menos não era uma daquelas enfadonhas reprises. E com o passar do tempo fui vendo outros astros de primeira grandeza, como: Jeremy Irons (A Casa dos Espíritos, O Homem da Máscara de Ferro, Eragon), Renée Zellwegger (Bridget Jones, Miss Potter, Chicago) e ainda Viggo Mortensen (o Aragorn de O Senhor dos Anéis). O filme é Appaloosa, uma cidade sem lei.

A história se passa na cidade que dá nome ao filme, em 1882, onde um sacana de um fazendeiro rico, Randall Bragg (Irons), mata o delegado e seus auxiliares. O pessoal da cidade resolve então contratar o xerife Virgil Cole (Harris) que traz com ele seu companheiro Everett Hitch (Viggo). Eles acabam com a alegria dos arruaceiros de Bragg, mas depois são ameaçados pelo rancheiro. Em paralelo, o xerife se envolve com Allie French (Renée), que estava mais interessada em ter um homem do que ter o homem. Um dos empregados de Bragg aceita testemunhar contra o patrão e o rancheiro acaba sendo condenado à forca. Mas seus homens querem achar um modo de livrar o pescoço do chefe.

Com cenários deslumbrantes e diálogos de muito bom gosto, este filme foi uma grata surpresa para mim, e por isso recomendo. Traz boas mensagens de amizade sincera, integridade e simplicidade de vida, coisas raras hoje em dia. Mesmo se você, como eu, não é fã do gênero, vale a pena ver, pois a história poderia se passar em qualquer tempo e lugar.

Divirta-se.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Código de Hamurabi - Lei de talião - 1.780 aC. - 2001 e 2011.

Sou a favor da vida.

Em 11 de setembro de 2001, vendo todas as imagens daquela tragédia injustificável, dentre as que mais me chocaram, foi uma em que se viam pessoas comemorando o desastre, a morte. Incomodou muito ver seres humanos comemorando felizes a morte de outros seres humanos.


Nada justifica tirar a vida de alguém.

Agora, vejo novamente uma cena quase idêntica e continuo pensando o mesmo.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

De Serenatas e Festivais

Era final dos anos setenta, início de oitenta, século passado. Eu fazia parte de um grupo de jovens cristãos que gostavam muito de música ouvida, tocada ou cantada. Creio que no início, o grupo reunia-se para tocar nas missas. Não estou certo, pois entrei na turma depois do time já formado. Mais precisamente, eu comecei a participar quando voltei a morar em São Carlos, vindo de Ribeirão Preto. Foi em uma serenata, em que um dos violeiros, meu amigo-irmão Zé Geraldo, estava com o braço gessado, e mesmo assim tinha que tocar. Eu acabei indo para dirigir (na época eu ainda nem arranhava as cordas do pinho), pois tocar violão com braço quebrado já era sacrifício suficiente para ele. E assim, poupando o Zé Geraldo da terrível tarefa de dirigir o carro dele, lá fui eu de motorista do Fusca marrom. E de serenata em serenata, a coisa ficando séria, ou melhor, de sério não havia nada, pois a gente se divertia muito. Dia das Mães, Ano Novo, ou qualquer outra data inventada como pretexto e estávamos nós, de instrumento em punho, disposição e, lembrando Buarque, “também sem a cachaça, ninguém segura esse rojão”. Daí em diante começou surgir outras idéias. Talvez embalados por uma tentativa de ressuscitar o sucesso dos antigos festivais de MPB da Record, havia festivais de música religiosa e outros de música laica. E nós participávamos de todos. Em Setembro de 1983, teve um festival no CAASO, Centro Acadêmico Armando de Salles Oliveira, da USP de São Carlos, chamado 1º. FESEM – Festival Secundarista de Música, onde inscrevemos três músicas e fomos premiados em duas. Fomos chamados depois para apresentar as músicas vencedoras na Escola Dr. Álvaro Guião, famoso Instituto, e não me lembro bem o motivo, mas teve até um cantor da cidade, chamado Zezinho Santilli, que nos convidou para acompanhá-lo nesta apresentação onde, depois da nossa, ele mostrou algumas de suas músicas gravadas.
O nosso conjunto tinha nome, era Grupo Tá Véia, num mal disfarçado cacófato, que designava a qualidade dos componentes da turma. A nossa música melhor colocada, 2º. Lugar, foi “O que seria do verde se todos gostassem do amarelo”, numa tentativa de pegar carona em músicas de nome comprido, como “Para não dizer que não falei das flores”, de Geraldo Vandré, música banida pela ditadura, mas que todo jovem sabia de cor e cantava escondido da repressão. Mas somente o tamanho do nome da música era semelhante, pois a nossa era um samba que falava de parcerias impensáveis como Ovelha e Sergio Mallandro; sacaneava com Sidney Magal e com Neuzinha Brizola, neta do político. Dizia que ouvir o cantor Nahim era mais difícil que falar desindexação, palavra em voga naqueles tempos inflacionados. Mexia com a conjuntura da Gretchem e terminava propondo fazer sabão dessa tralha toda, para elevar o nível da música brasileira. O refrão era uma homenagem ao locutor esportivo Osmar Santos, e dizia “Tchaca tchaca na butchaca, tchirulirulirulá. Oh! Como está a parada popular.” Já a outra classificada em 4º. Lugar era uma baladinha romântica, chamada “Desancorar”, bem mais séria e menos contestadora que a outra. A não classificada foi o samba-canção com um não sei quê de bossa-nova, “Jeito de Amar”. Havia também “Olha”, “Salário Mínimo”, “Canção do Laiá-laiá” e tantas outras que não me recordo. Tudo com muito bom gosto, sinceridade e até uma dose de ingenuidade. Tal como deve ser a vida. A todos os componentes do Grupo Tá Véia, meu muito obrigado e meu saudoso abraço.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Notas de antanho

Este post começou como um comentário que fiz no blog de um amigo de longa data (gibaitu.blogspot.com) que escreve sobre o livro de Daniel Filho e de suas lembranças da época do Ultraman. Achei que devia estender um pouco mais o tema e aqui o faço. De igual modo, também vivi o mundo das televizinhanças. Só fui ter uma TV em casa, depois da Copa de 70, a do tri. Naquela época eu via Vigilante Rodoviário, Carlos, que muito antes de Nascimento, foi nosso herói policial brasileiro. Cisco Kid, Zorro (o de capa e espada) e o Zorro (amigo do Tonto - que tempos depois vim saber que o nome era Cavaleiro Mascarado). Depois vieram Batman, Mulher Maravilha, Cyborg, Capitão América, e outros heróis. Via os Três Patetas, humor inocente e repetitivo, que tanto nos fazia rir. Era um tempo maravilhoso. Ah! Também vi um "milagre" que me deixou em êxtase. Fã que era de ficção científica, vi o primeiro humano pisar na Lua. Talvez hoje seja pouco, mas em 1969 era o futuro que chegava. Fiquei sem entender quando vi interrompida a transmissão de uma notícia em edição extra-ordinária, a Revolução dos Cravos em Portugal. Era 1974, e só depois soube que havia sido censura, aquilo que achei que era uma simples "perdoe a nossa falha".
No jornalismo, Assisti o Repórter Esso e vi Heron Domingues anunciar a renúncia de Richard Milhous Nixon. Não posso me esquecer da dupla Cid Moreira e sua loirice indefectível, com Sergio Chapelin, de longas madeixas, como ditava a moda de antanho. Vi novelas inocentes como A Moreninha, Uma Rosa com Amor e outras menos inocentes como Bandeira 2, O Bofe, O Rebu, todas estas com o inoxidável Ziembisnki. Também vi Gabriela, Saramandaia (post anterior) e outras. Vi A Muralha, na exibição de 1968 (a primeira foi em 1961, mas do berço eu não conseguia ver). Lembro-me do trecho da música de abertura de Shazan, Xerife & Cia, fazendo estripulias em sua Camicleta. “Hei Shazan, herói de revista em quadrinhos...”. Também nessa época aprendi que “não existe nada mais antigo, do que cowboy que dá cem tiros de uma vez. A vó da gente deve ter saudade do sing pow, do cinto de inutilidade...”
E as propagandas? Ou devo dizer reclames? Se estava frio eu ouvia: “-Quem bate? É o frio! Não adianta bater, que eu não deixo você entrar.  As Casa Pernambucanas é que vão, aquecer o meu lar. Vou comprar flanelas, lãs e cobertores eu vou comprar. Nas Casas Pernambucanas e nem vou sentir, o inverno passar.” Ou a outra: Tá na hora de dormir, não espere mamãe mandar. Um bom sono prá você e um alegre despertar (Cobertores Parayba). E sempre soube que: Juquinha quando está chupando bala, não fala. Não fala, não dá bola nem dá bala. E logo vinha a concorrente: Roda, roda, roda baleiro atenção. Quando o baleiro parar ponha a mão. Pegue a bala mais gostosa do planeta, não deixe que a sorte se intrometa. Bala de leite Kids, a melhor bala que há. Bala de leite Kids, quando o baleiro parar. Fiquei sabendo também que: Depois de um sono bom, a gente levanta, toma aquele banho, escova o dentinho. Na hora de tomar café, é Café Seleto, que a mamãe prepara, com todo carinho. Café Seleto tem sabor delicioso, cafezinho gostoso, é o Café Seleto. Café Seleto tem sabor delicioso, cafezinho gostoso, é o Café Seleto. Café Seleto. Se ia na “casinha”, logo me lembrava de uma menina cantando: Primavera, Primavera, sou a menina Primavera. Meu papel é trazer a você. O papel, o papel Primavera. Primavera é super macio. Primavera, papel Primavera. E com perdão do trocadilho, os anos não me fez esquecer que este papel era cor-de-rosa, e de macio não tinha nada. Já na hora de tomar o café da tarde, tinha uma Groselha Vitaminada Milani, iahuu, No leite, no refresco e no lanche. Prá tomar a toda hora na sua casa, na festinha, na merenda. Tudo fica uma delícia, guarde o nome e não se engane. Groselha Vitaminada Milani, também no sabor Morango e Framboesa, iahuuuu. Em ritmo de rock, eu via A pulguinha dançando iê-iê-iê.O pernilongo mordendo meu nenê. E o dia inteiro a traça passa, a roer, a roer. Nessa festa preciso por um fim. Vou chamar DDDrin, DDdrin, e os passeios da barata pela casa vão ter fim. DDDrin, DDDrin, D-D-Drin. Pela manhã, escova os dentes com Kolynos, Ahhh. Até tentaram me dar, mas nunca consegui comer Cremo, Cremo, Cremo Cremogema. É a coisa mais gostosa desse mundo. Eu esqueço a boneca. Eu esqueço a minha bola, quando tomo Cremogema.
Até hoje fico em dúvida a respeito, mas quem sabe... -Você tem cinco segundos pra responder. Adivinha o que brilha mais: o assoalho da mamãe ou o sapato do papai? Odd. Eu não me lembro da voz dela, mas dos seus cabelos, quanta diferença! Graças aos Shampoos Colorama, um produto Bozano. Em latim alguém avisava que Dura Lex, Sed Lex, no cabelo só Gumex. E aquele puxa-saco do Fernandinho, usando a mesma camisa USTop do chefe. Sem contar que usei Conga, Bamba Maioral e Ki-Chute. Sapato Vulcabrás, Calça Topeka e Camisa de anarruga. Bem, melhor parar por aqui, mas tem assunto para mais e mais história. Tudo direto do Túnel do Tempo.
Essas lembranças não seguiram nenhuma cronologia, foram sendo anotadas a medida que a memória ia puxando. E tudo isso culpa de quem?  Do Giba! Quem mandou puxar minhas lembranças.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Ficção brasileira

Na era dos lobisomens, crepúsculos e luas novas, me lembrei de um folhetim brasileiro, apresentado por duas vezes na televisão, cujo enredo trazia personagens e estórias prá lá de esquisitas e sobrenaturais, tais como: um pacato cidadão que possuía asas; um coronel que soltava formigas pelo nariz; uma senhora que, de tanto comer, explodia; outro que ao se emocionar, ameaçava cuspir o coração; uma dama da noite que quando excitada, ficava em brasa, literalmente, queimando tudo em que encostava; e um professor que, se não bastasse virar lobisomem, há anos não dormia e em suas andanças noturnas, jurava ter ser encontrado com personagens históricos, como D. Pedro I e Tiradentes.
Embalada por trilhas marcantes como: “Pavão Mysteriozo” (assim mesmo, com y e z – era o tema de abertura), de Ednardo (?), “Canção da Meia-Noite”, dos Almôndegas (??), “Caso Você Case”, com Marília Barbosa (+?-) e ainda, “Sou Estopim”, interpretado por Sonia Braga (sim, e mandava bem) que também era uma das moças do cabaré (e mandava melhor ainda). Além destas, haviam também outras cobras da MPB, como: Geraldo Azevedo (“Malaksuma” e “Juritis Borboletas”), Ney Matogrosso (“Prá Não Morrer de Tristeza”), Alceu Valença (“Borboleta Sabiá”), Gilberto Gil (“Jeca Total”), Fafá de Belem (“Xamêgo”) e os Luizes Gonzagas, o pai (“Capim Novo”) e o filho (“Chão Pó Poeira”).
Correndo o risco de revelar a idade, se você disse “Saramandaia”, já revelou. Mostrada a primeira vez em 1976 e a outra em 1983, ao redor de uma tema político – a troca do nome da cidade de Bole-Bole para Saramandaia – os atores iam revelando seus talentos, mostrando os personagens meio realistas meio fantásticos. Juca de Oliveira dava vida ao alado João Gibão. Antonio Fagundes estreava na Globo, interpretando Lua Viana, o prefeito, que era casado com Zélia, Yoná Magalhães. A musa Sônia Braga, era Marcina. Ary Fontoura era o lobisomem professor Aristóbulo. Castro Gonzaga era o coronel, nariz de formigueiro, Zico Rosado. Wilza Carla era a Dona Redonda, que explodiu de tão gorda. A inesquecível Dina Sfat, era Risoleta, dona da casa da luz vermelha, disposta a tudo para uma noite de amor com o lobisomem. Além destes, também fizeram parte do elenco: Milton Moraes, Sebastião Vasconcelos, Carlos Eduardo Dolabella (pai do dublê de badboy Dado Dolabella), Eloísa Mafalda, Natalia do Vale, Pedro Paulo Rangel, José Augusto Branco, Brandão Filho e muitos outros. Não esquecendo a participação especial de Tarcísio Meira, como D. Pedro I e Francisco Cuoco, como Tiradentes.
O autor Dias Gomes, era originalmente do teatro e teve várias peças censuradas no regime militar. Conta-se que foi demitido da Radio Nacional, por ser comunista. Começou na Globo após isso, e fez diversas novelas de sucesso, das quais destaco: O Bem Amado, de 1973. O Espigão, de 1974. A primeira versão censurada de Roque Santeiro, em 1975. Fez também minisséries, destacando: O Pagador de Promessas, As Noivas de Copacabana e Dona Flor e seus dois Maridos. Foi casado com a também novelista, Janete Clair, tendo sido vítima de uma brincadeira que se dizia que ele não era o melhor novelista nem na casa dele. Aproveitou alguns de seus sucessos televisivos e andou passeando também pela literatura. Tomou posse da cadeira 21 da Academia Brasileira de Letras, cujo ocupante hoje é Paulo Coelho. Morreu em São Paulo, vítima de um acidente automobilístico em 1999, durante a preparação da minissérie “Vargas”, baseada em uma de suas peças de teatro.
É sempre prazeroso lembrar os personagens desta novela. Na minha opinião, a ficção de Saramandaia era muito melhor que muita coisa que se propõe a ser real, hoje em dia.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Se os Tubarões Fossem Homens - Bertold Brecht

Se os tubarões fossem homens, eles seriam mais gentis com os peixes pequenos. Se os tubarões fossem homens, eles fariam construir resistentes caixas do mar, para os peixes pequenos com todos os tipos de alimentos dentro, tanto vegetais, quanto animais. Eles cuidariam para que as caixas tivessem água sempre renovada e adotariam todas as providências sanitárias cabíveis se, por exemplo, um peixinho ferisse a barbatana, imediatamente ele faria uma atadura a fim de que não morressem antes do tempo. Para que os peixinhos não ficassem tristonhos, eles dariam cá e lá uma festa aquática, pois os peixes alegres têm gosto melhor que os tristonhos.

Naturalmente também haveria escolas nas grandes caixas, nessas aulas os peixinhos aprenderiam como nadar para a goela dos tubarões. Eles aprenderiam, por exemplo, a usar a geografia, a fim de encontrar os grandes tubarões, deitados preguiçosamente por aí. Aula principal seria naturalmente a formação moral dos peixinhos. Eles seriam ensinados de que o ato mais grandioso e mais belo é o sacrifício alegre de um peixinho, e que todos eles deveriam acreditar nos tubarões, sobretudo quando esses dizem que velam pelo belo futuro dos peixinhos. Inculcar-se-ia nos peixinhos que esse futuro só estaria garantido se aprendessem a obediência. Antes de tudo os peixinhos deveriam guardar-se antes de qualquer inclinação baixa, materialista, egoísta e marxista. E denunciaria imediatamente os tubarões se qualquer deles manifestasse essas inclinações.

Se os tubarões fossem homens, eles naturalmente fariam guerra entre si a fim de conquistar caixas de peixes e peixinhos estrangeiros. As guerras seriam conduzidas pelos seus próprios peixinhos. Eles ensinariam os peixinhos que, entre os peixinhos e outros tubarões existem gigantescas diferenças. Eles anunciariam que os peixinhos são reconhecidamente mudos e calam nas mais diferentes línguas, sendo assim impossível que entendam um ao outro. Cada peixinho que na guerra matasse alguns peixinhos inimigos da outra língua silenciosos, seria condecorado com uma pequena ordem das algas e receberia o título de herói.

Se os tubarões fossem homens, haveria entre eles naturalmente também uma arte, haveria belos quadros, nos quais os dentes dos tubarões seriam pintados em vistosas cores e suas goelas seriam representadas como inocentes parques de recreio, nas quais se poderia brincar magnificamente. Os teatros do fundo do mar mostrariam como os valorosos peixinhos nadam entusiasmados para as goelas dos tubarões. A música seria tão bela, tão bela, que os peixinhos sob seus acordes e a orquestra na frente, entrariam em massa para as goelas dos tubarões sonhadores e possuídos pelos mais agradáveis pensamentos. Também haveria uma religião ali.

Se os tubarões fossem homens, eles ensinariam essa religião. E só na barriga dos tubarões é que começaria verdadeiramente a vida. Ademais, se os tubarões fossem homens, também acabaria a igualdade que hoje existe entre os peixinhos, alguns deles obteriam cargos e seriam postos acima dos outros. Os que fossem um pouquinho maiores poderiam inclusive comer os menores, isso só seria agradável aos tubarões, pois eles mesmos obteriam assim mais constantemente maiores bocados para devorar. E os peixinhos maiores que deteriam os cargos valeriam pela ordem entre os peixinhos para que estes chegassem a ser professores, oficiais, engenheiros da construção de caixas e assim por diante.

Curto e grosso, só então haveria civilização no mar, se os tubarões fossem homens.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

O Padeiro - Rubem Braga


Agora percebi que ainda não havia postado nada neste mês, e como estou um tanto seco de palavras e  idéias, resolvi pegar emprestado uma crônica de Rubem Braga.
"Levanto cedo, faço minhas abluções, ponho a chaleira no fogo para fazer café e abro a porta do apartamento – mas não encontro o pão costumeiro. No mesmo instante me lembro de ter lido alguma coisa nos jornais da véspera sobre a “greve do pão dormido”. De resto não é bem uma greve, é um lock-out, greve dos patrões, que suspenderam o trabalho noturno; acham que obrigando o povo a tomar seu café da manhã com pão dormido conseguirão não sei bem o que do governo.
Está bem. Tomo o meu café com pão dormido, que não é tão ruim assim. E enquanto tomo café vou me lembrando de um homem modesto que conheci antigamente. Quando vinha deixar o pão à porta do apartamento ele apertava a campainha, mas, para não incomodar os moradores, avisava gritando:
— Não é ninguém, é o padeiro!
Interroguei-o uma vez: como tivera a idéia de gritar aquilo?
“Então você não é ninguém?”
Ele abriu um sorriso largo. Explicou que aprendera aquilo de ouvido. Muitas vezes lhe acontecera bater a campainha de uma casa e ser atendido por uma empregada ou outra pessoa qualquer, e ouvir uma voz que vinha lá de dentro perguntando quem era; e ouvir a pessoa que o atendera dizer para dentro: “não é ninguém, não senhora, é o padeiro”. Assim ficara sabendo que não era ninguém…
Ele me contou isso sem mágoa nenhuma, e se despediu ainda sorrindo. Eu não quis detê-lo para explicar que estava falando com um colega, ainda que menos importante. Naquele tempo eu também, como os padeiros, fazia o trabalho noturno. Era pela madrugada que deixava a redação de jornal, quase sempre depois de uma passagem pela oficina – e muitas vezes saía já levando na mão um dos primeiros exemplares rodados, o jornal ainda quentinho da máquina, como pão saído do forno.
Ah, eu era rapaz, eu era rapaz naquele tempo! E às vezes me julgava importante porque no jornal que levava para casa, além de reportagens ou notas que eu escrevera sem assinar, ia uma crônica ou artigo com o meu nome. O jornal e o pão estariam bem cedinho na porta de cada lar; e dentro do meu coração eu recebi a lição de humildade daquele homem entre todos útil e entre todos alegre; “não é ninguém, é o padeiro!”
E assobiava pelas escadas."

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

O Silencio dos Cordeiros

Ontem à noite revi o premiadíssimo clássico “O Silencio dos Inocentes” (“The silent of the Lambs” – EUA – 1991). Em uma magnífica interpretação do britânico naturalizado americano, Sir Philip Anthony Hopkins, em papel que lhe deu o Oscar de Melhor Ator, viveu o que seria o início de uma série de filmes a respeito do canibal Hannibal Lecter. Personagem criado por Thomas Harris e imortalizado no cinema por Joannathan Demme. Hopkins é parente distante de Richard Burton, que o influenciou na decisão de ser ator. Contracenando com ele, Jodie Foster dando vida à agente especial do FBI, Clarice Starling, papel de que deu a ela o Oscar de Melhor Atriz. Jodie iniciou sua carreira artística fazendo comerciais da Coppertone, quando tinha apenas três anos de idade. Na infância fez vários filmes da Disney e aos quatorze anos chegou à fama em Taxi Driver, de Martin Scorsese, dividindo a tela com ninguém menos que Robert De Niro. Poucos anos depois, a tentativa de assassinato do presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan, baleado por um psicopata chamado John Hinckley, lhe causaria um grave conflito emocional e psicológico, com a revelação feita por Hinckley de que o ato visava chamar a atenção de Jodie, por quem era platonicamente apaixonado e a quem seguia de longe há meses no campus da Universidade de Yale, onde ela estudava, e que havia assistido Taxi Driver por mais de quarenta vezes apenas para vê-la na tela.
 O Silencio dos Inocentes, também recebeu o Oscar nas categorias de Melhor Filme (Edward Saxon, Kenneth Utt e Ronald M. Bozman), Melhor Diretor (Jonathan Demme) e Melhor Roteiro Adaptado (Ted Tally), além de ter sido também indicado nas categorias de Melhor Edição (Craig McKay) e Melhor Mixagem de Som. No filme seguinte da série, Clarice passa a ser interpretado por Julianne Moore, infelizmente.
Cada vez que assisto este filme, descubro uma novidade, que passou despercebido nas vezes anteriores que vi. Nesta, foi no final, já na apresentação dos créditos. Depois de uma seqüência extremamente tensa, na escuridão do porão de Buffalo Bill, o serial killer caçado por Clarice, o filme parece terminado quando ela recebe a ligação do Dr. Lecter, que aparece livre nas ruas do Haiti, indo atrás do crápula do Dr. Chilton. A novidade é que a rua mostrada, poderia ser de qualquer uma das cidades praianas do nordeste, o que reforça as palavras de Caetano, de que o Haiti é aqui.