quarta-feira, 9 de novembro de 2011

As gralhas

Minha dica de leitura é para o livro de Ken Follett, Jackdaws - Agentes Especiais – Editora Rocco – 482 páginas.

Tendo como cenário a Segunda Guerra Mundial, o autor desenvolve uma trama cheia de surpresas e nenhuma monotonia. Trata-se de um grupo feminino de agentes britânicas do S.O.E. – Special Operations Executive, cujo codinome é Jackdaws, são lideradas pela agente Felicity “Flick” Clairet, e com pouquíssimo treinamento, têm a difícil missão de inutilizar uma importante central telefônica alemã, na França ocupada e às vésperas do Dia D.

Com tempo escasso para cumprir a missão, elas são perseguidas por um oficial da inteligência nazista, Dieter Franck, que por diversas vezes é passado para trás por Flick, e isso só faz crescer no alemão a vontade de capturar e se vingar da agente britânica.
Ken Follett

É uma leitura envolvente que, para pessoas visuais como eu, dá a impressão de estar vendo um filme. As histórias de vida e as personalidades de cada um dos personagens, são habilmente descritas pelo autor, dando uma excelente dimensão dos motivos que os levam a tomar decisões e o modo de agir de cada um deles.

Também para quem gosta do tema da Segunda Grande Guerra, o livro tem descrições detalhadas de armas, carros, artimanhas, códigos, disfarces, e tudo o que envolveu a guerra daquela época.

Boa leitura!

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Velhos e bons filmes em preto e branco


Para os que curtem filmes em preto e branco, duas dicas: “Cidadão Kane” e “Doze Homens e uma Sentença”.

Doze Homens e uma Sentença (12 Angry Men) é um drama onde, doze jurados se reúnem para decidir se um réu é culpado ou inocente de um assassinato, sabendo que se for considerado culpado, a pena será a de morte.

Na primeira votação, onze têm plena certeza que ele é culpado, mas um jurado, mesmo não acreditando em sua inocência, também não o considera culpado. Este jurado, contrariando os demais, quer analisar melhor os fatos, e por isso é obrigado a enfrentar, não somente as dificuldades de interpretação dos fatos para achar a inocência do réu, mas principalmente a má vontade e as mágoas dos demais jurados, que estão com muita pressa de se verem livres daquela incumbência.
Estrelado por Henry Fonda, é um filme de 1957 e é ele também que o produz. Praticamente todo rodado dentro de uma sala, caracteriza bem a tensão que se quer mostrar.



Cidadão Kane (Citizen Kane) é um filme intenso e marcante. Estrelado e dirigido por Orson Welles, é um filme de 1941, que segundo se comenta, foi baseado na vida do magnata do jornalismo William Randolph Hearst, o que sempre foi negado por Welles. 

Charles Foster Kane é um menino pobre que acaba construindo um império e se tornando um dos homens mais ricos do mundo.

O filme começa mostrando a morte de Kane e é quando ele pronuncia uma palavra: "Rosebud".
 O jornalista Jerry Thompson (William Alland) é incumbido por seu chefe de investigar a vida de Kane, para descobrir o significado da última palavra dita por ele, e que ninguém sabia o que era. Jerry começa entrevistar as pessoas que tiveram ligação com ele e descobre que foi um homem solitário, que sempre foi obrigado a seguir a vontade alheia, desde menino.

Por ninguém se importar com ele, busca na aquisição de bens, um meio para que obtenha a admiração das pessoas. Ao final, o jornalista conclui que "Charles Foster Kane foi um homem que possuiu tudo o que quis, e depois perdeu tudo. Talvez Rosebud seja algo que ele nunca tenha possuído, ou algo que tenha perdido." Mas fique tranquilo, no final do filme, é revelado o significado de "rosebud".

Também faz parte do elenco, Agnes Moorehead, que interpreta a mãe de Kane, e que depois ficou famosa como Endora, a malvada mãe de Samantha, no famoso seriado de TV A Feiticeira.


O filme Doze Homens, me foi presenteado por um novo amigo de trabalho, o Ronaldo Caravieri, que numa conversa de pós-almoço, descobrimos ter gostos semelhantes para filmes, além de compartilhar a admiração por Senna. Já Cidadão Kane foi presente de meus tesouros, Esther, Martha, Barbara e Arthur, no dia dos pais deste ano. Agradeço a todos por saberem que sou um aficionado por bons filmes e por contribuir para isso.

Vale a pena conferir ambos.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Mercadologia do favorecimento.

Se realmente há uma constante reverberação do sinótico linguajar de uma límpida e cristalina sensação de súbito acaloramento, então este degringolar de afazeres, resulta em uma rápida e decisiva consternação.

Isso ocorre, devido às constantes tentativas de alinhamentos de astros das mais infindáveis constelações, que nos faz recordar de antigos elementos deixados à mercê da história, para que servissem, talvez, de uma postulação incongruente de insanidade, que a partir de um ponto de vista mais hipoalérgico, conduz todo o hemisfério setentrional, a uma relutante conexão de dislexia.

Ora, se nós, seres intergalácticos que somos, conseguimos nos aprimorar de celuloides inclementes de pura revelia, logo toda a incompleta cardiopatia apresentada, resultará de amores perfeitos, mas não infinitos.

Se continuarmos nessa linha de apresentação, poderemos concluir mais adiante que, embora perplexos, acabaremos em um infinito amplexo solar, de forma a regurgitar todo um passado de solventes definidos como automobilísticos.

Dessa forma, concluindo meu mais preclaro raciocínio, consigo sem relutância, afirmar peremptoriamente que: jamais, em momentos ímpares de nossa seleta competição, sequer encontramos significados incólumes.

Caso tenha tomado a semelhante decisão de, tal como este escriba, perder o seu tempo e o de outros incautos leitores, publicando semelhante histrionismo, desista!

Será melhor para todos!

E tenho dito! (ou escrito!)

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Um olhar do Paraiso

Depois de ver na TV, andei buscando material para escrever a respeito do filme “Um Olhar no Paraiso” – The Lovely Bones – EUA – 2009 – direção: Peter Jackson – elenco: Saoirse Ronan (Desejo e Reparação) é Susie Salmon (saoirse em irlandês significa liberdade), Rachel Weisz (a Evelyn de A Múmia) e Mark Wahlberg (Max Payne) como pais de Susie, Susan Sarandon (Thelma & Luise, O Óleo de Lorenzo, Um Amor de Verão), é a avó dela e Stanley Tucci (o Nigel de O Diabo Veste Prada) interpretando George Harvey, o assassino.


Sinopse: Em 6 de dezembro de 1973, Susie Salmon é estuprada e assassinada por seu vizinho, George Harvey, um assassino em série de jovens garotas e mulheres. Depois de um ano após a morte de Susie, seu pai começa a desconfiar do vizinho e começa a procurar por provas para incriminá-lo. Com o tempo, também sua irmã começa a desconfiar do Sr. Harvey. 

Susie não vai para o paraíso. Ela fica numa espécie de limbo e observa seu assassino. O motivo para a estada dela neste lugar intermediário entre a Terra e o paraíso é o fato de não ter se conformado com a morte e por desejar vingança contra o assassino que, depois de acabar com as pistas com êxito, se prepara para matar novamente. Susie luta para consumar o seu desejo de vingança contra Harvey e seu desejo de ver sua família se recuperar de sua perda.
Para minha surpresa só vi críticas duras, e quase todas mencionando o uso excessivo do visual. Pode ser ingenuidade minha, mas foi justamente o que mais me encantou no filme. A história é densa, em momentos chega a ser sufocante, mas o visual é simplesmente maravilhoso. Surpreende a cada tomada.
Há uma sequencia onde, após sua morte, Susie esta na praia, vendo garrafas com barcos montados em seu interior, navegando pelo mar, quando seu pai, em outra dimensão e num momento de desespero, começa a quebrar sua coleção de garrafas, Susie vê as garrafas se espatifarem nas pedras da praia.

Afinal, o que é o cinema senão uma história contada através de imagens. O que querem os críticos deste filme? Uma história contada através de palavras? Que leiam livros!

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Bang-bang do bom.

Dia destes, madrugada à dentro, falta de sono, dei de cara com um bang-bang. Este gênero nunca foi o meu predileto, mas também nunca o rejeitei. Estava bem no início, e o ator me chamou a atenção, Ed Harris (O Show de Truman, Pollock, Apollo 13). Isso significava que a produção era recente, ou pelo menos não era uma daquelas enfadonhas reprises. E com o passar do tempo fui vendo outros astros de primeira grandeza, como: Jeremy Irons (A Casa dos Espíritos, O Homem da Máscara de Ferro, Eragon), Renée Zellwegger (Bridget Jones, Miss Potter, Chicago) e ainda Viggo Mortensen (o Aragorn de O Senhor dos Anéis). O filme é Appaloosa, uma cidade sem lei.

A história se passa na cidade que dá nome ao filme, em 1882, onde um sacana de um fazendeiro rico, Randall Bragg (Irons), mata o delegado e seus auxiliares. O pessoal da cidade resolve então contratar o xerife Virgil Cole (Harris) que traz com ele seu companheiro Everett Hitch (Viggo). Eles acabam com a alegria dos arruaceiros de Bragg, mas depois são ameaçados pelo rancheiro. Em paralelo, o xerife se envolve com Allie French (Renée), que estava mais interessada em ter um homem do que ter o homem. Um dos empregados de Bragg aceita testemunhar contra o patrão e o rancheiro acaba sendo condenado à forca. Mas seus homens querem achar um modo de livrar o pescoço do chefe.

Com cenários deslumbrantes e diálogos de muito bom gosto, este filme foi uma grata surpresa para mim, e por isso recomendo. Traz boas mensagens de amizade sincera, integridade e simplicidade de vida, coisas raras hoje em dia. Mesmo se você, como eu, não é fã do gênero, vale a pena ver, pois a história poderia se passar em qualquer tempo e lugar.

Divirta-se.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Código de Hamurabi - Lei de talião - 1.780 aC. - 2001 e 2011.

Sou a favor da vida.

Em 11 de setembro de 2001, vendo todas as imagens daquela tragédia injustificável, dentre as que mais me chocaram, foi uma em que se viam pessoas comemorando o desastre, a morte. Incomodou muito ver seres humanos comemorando felizes a morte de outros seres humanos.


Nada justifica tirar a vida de alguém.

Agora, vejo novamente uma cena quase idêntica e continuo pensando o mesmo.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

De Serenatas e Festivais

Era final dos anos setenta, início de oitenta, século passado. Eu fazia parte de um grupo de jovens cristãos que gostavam muito de música ouvida, tocada ou cantada. Creio que no início, o grupo reunia-se para tocar nas missas. Não estou certo, pois entrei na turma depois do time já formado. Mais precisamente, eu comecei a participar quando voltei a morar em São Carlos, vindo de Ribeirão Preto. Foi em uma serenata, em que um dos violeiros, meu amigo-irmão Zé Geraldo, estava com o braço gessado, e mesmo assim tinha que tocar. Eu acabei indo para dirigir (na época eu ainda nem arranhava as cordas do pinho), pois tocar violão com braço quebrado já era sacrifício suficiente para ele. E assim, poupando o Zé Geraldo da terrível tarefa de dirigir o carro dele, lá fui eu de motorista do Fusca marrom. E de serenata em serenata, a coisa ficando séria, ou melhor, de sério não havia nada, pois a gente se divertia muito. Dia das Mães, Ano Novo, ou qualquer outra data inventada como pretexto e estávamos nós, de instrumento em punho, disposição e, lembrando Buarque, “também sem a cachaça, ninguém segura esse rojão”. Daí em diante começou surgir outras idéias. Talvez embalados por uma tentativa de ressuscitar o sucesso dos antigos festivais de MPB da Record, havia festivais de música religiosa e outros de música laica. E nós participávamos de todos. Em Setembro de 1983, teve um festival no CAASO, Centro Acadêmico Armando de Salles Oliveira, da USP de São Carlos, chamado 1º. FESEM – Festival Secundarista de Música, onde inscrevemos três músicas e fomos premiados em duas. Fomos chamados depois para apresentar as músicas vencedoras na Escola Dr. Álvaro Guião, famoso Instituto, e não me lembro bem o motivo, mas teve até um cantor da cidade, chamado Zezinho Santilli, que nos convidou para acompanhá-lo nesta apresentação onde, depois da nossa, ele mostrou algumas de suas músicas gravadas.
O nosso conjunto tinha nome, era Grupo Tá Véia, num mal disfarçado cacófato, que designava a qualidade dos componentes da turma. A nossa música melhor colocada, 2º. Lugar, foi “O que seria do verde se todos gostassem do amarelo”, numa tentativa de pegar carona em músicas de nome comprido, como “Para não dizer que não falei das flores”, de Geraldo Vandré, música banida pela ditadura, mas que todo jovem sabia de cor e cantava escondido da repressão. Mas somente o tamanho do nome da música era semelhante, pois a nossa era um samba que falava de parcerias impensáveis como Ovelha e Sergio Mallandro; sacaneava com Sidney Magal e com Neuzinha Brizola, neta do político. Dizia que ouvir o cantor Nahim era mais difícil que falar desindexação, palavra em voga naqueles tempos inflacionados. Mexia com a conjuntura da Gretchem e terminava propondo fazer sabão dessa tralha toda, para elevar o nível da música brasileira. O refrão era uma homenagem ao locutor esportivo Osmar Santos, e dizia “Tchaca tchaca na butchaca, tchirulirulirulá. Oh! Como está a parada popular.” Já a outra classificada em 4º. Lugar era uma baladinha romântica, chamada “Desancorar”, bem mais séria e menos contestadora que a outra. A não classificada foi o samba-canção com um não sei quê de bossa-nova, “Jeito de Amar”. Havia também “Olha”, “Salário Mínimo”, “Canção do Laiá-laiá” e tantas outras que não me recordo. Tudo com muito bom gosto, sinceridade e até uma dose de ingenuidade. Tal como deve ser a vida. A todos os componentes do Grupo Tá Véia, meu muito obrigado e meu saudoso abraço.