quarta-feira, 25 de março de 2009

A cegonha

Eu tinha acabado de levantar voo de São Paulo indo para o Rio de Janeiro. Depois de todos os avisos da tripulação eu comecei a olhar pela janelinha. Meu pensamento estava longe, quando de repente eu fixei o olho em algo que me pareceu muito estranho. Firmei a vista, parecia que eu estava vendo algo, mas eu custava a acreditar em meus olhos. E não é que era mesmo. Uma cegonha, voando toda faveira, cortava o ar como uma flecha que sabe o alvo que deve atingir. Levava no bico um embrulhinho, um pacotinho que, mesmo de longe, dava para ver que era azul. Apertei ainda mais meus olhos, tentando enxergar mais detalhes daquela indescritível visão, mas a minha miopia somada ao estigmatismo, não me permitiu ver o nome que estava bordado no embrulho que a cegonha levava preso ao longo bico. Olhei para o passageiro ao lado, e ele estava lá prestando atenção a um livro e não se deu conta do que estava vendo. Ainda bem, pensei eu. Se já era difícil acreditar no que eu via, que dirá ter que comentar com alguém. E assim, a única coisa que vi era que a direção que a grande ave seguia era o norte. Pensei novamente, certamente alguém vai ficar feliz ao ver a chegada desta entrega. Depois de chegar ao Rio, descer e ligar o celular, percebi que havia uma mensagem gravada, e tudo ficou claro para mim. A cegonha estava voando rumo à São Carlos, e o que ela levava no bico era o meu segundo netinho, o Rafael. As pessoas que ficaram felizes, além de mim, foram todos que, ansiosamente, o aguardavam. E eu fiquei ali, com cara de bobo, dessas caras que a gente fica quando está tão feliz, que nem liga para o que estão pensando a respeito de sua cara. Entrei no táxi, e logo depois de passar o endereço do hotel, acrescentei: - Meu neto nasceu enquanto eu vinha de São Paulo até aqui. Ele me parabenizou. Cheguei ao hotel, fui até o restaurante, e após pedir uma saladinha básica, já lasquei para o garçon: - Meu netinho nasceu agora a pouco. E este também me parabenizou. Agora, escrevendo está caindo a minha ficha. Que papel ridiculamente maravilhoso, ou maravilhosamente ridículo eu fiz. Concorda? Se discordou é porque também já se sentiu assim. Quero dar meu beijo neste garotinho, na sua mãe e no seu pai, mas primeiro preciso pensar em voltar para casa. Mas que eu hoje vou ter uma noite feliz, tenho certeza.
Seja muito bem vindo, Rafael, os que te amam zelam por Você.

Um comentário:

GILBERTO DE MOURA disse...

Parabéns vovô Geraldo...cegonha feliz essa !

Parabéns pelo blog também!

Quando puder dê uma olhada no meu: http://gibaitu.blogspot.com/

Sua opinião é bem vinda !

Abraço

Giba