Escolar Bispo Dom Gastão. Na sala da Diretoria, meu pai pediu que fosse chamado o professor Ulisses, para termos, os quatro, uma conversa para esclarecer alguns fatos ocorridos no dia anterior. Mesmo com a insistência do diretor, meu pai não adiantou o assunto, dizendo que falaríamos quando o professor chegasse. Eu me sentia muito seguro, ao lado do meu pai, e principalmente porque eu estava com a verdade do meu lado. Ao chegar, o professor foi cumprimentado pelo meu pai, e já me pediu para contar novamente o que havia ocorrido. O professor quis interromper minha explicação, mas meu pai o impediu, dizendo que ele teria oportunidade de se expressar, após minha explanação. O professor então, disse que não era bem assim que havia ocorrido, e que eu havia entendido errado o que ele havia dito. Meu pai o lembrou que uma das tarefas de um mestre é garantir o entendimento correto por parte dos alunos, e que comentários como aquele não eram pertinentes em uma sala de aula, e nem a nenhum dos alunos ali presentes. Como ele nada poderia fazer pelos outros alunos, para vê-los livre deste infeliz comportamento, ao menos ao filho dele ele fazia questão que eu mudasse de sala, e se não fosse possível isso, que a mudança seria então de escola. O Diretor sugeriu que talvez houvesse um pouco de exagero da minha parte, mas meu pai disse que tinha plena confiança na educação que havia me dado, e que a mentira nunca fora tolerada em casa, porém se houvesse alguma dúvida quanto ao que eu havia relatado, ele preferia ficar com a minha palavra e sem a escola a tolerar aquele tipo de comentário a respeito de sua família. O resultado é que naquele mesmo dia, e a partir de então, eu teria aula com a Dona Terezinha, de quem também tenho uma história para contar, mas fica pra outra ocasião. Muitas lições me trouxeram aquele episódio e tenho absoluta certeza que, aquela atitude firme e assertiva de meus pais, forjaram o que eu viria a ser mais tarde. Creio que as pessoas que me conhecem, certamente irão reconhecer uma ligação desta história com alguma atitude minha. É isso.
Aqui deixo meus comentários sobre o cotidiano. Minhas idéias, meu jeito de ver o mundo, minhas lembranças, enfim...um pouco de mim.
domingo, 14 de junho de 2009
Comentário Infeliz
Olhando um pouco para o meu passado, lembrei-me de um caso que ocorreu no final dos anos sessenta. Eu fazia a segunda série do antigo primário. Estudava pela manhã, e o meu professor, até então, era um sisudo senhor chamado Ulisses. Um homem como professor primário já não era comum de se ver, em um momento da história em que essa classe era dominada pelas mulheres. Abrindo parênteses, anos mais tarde, um político paulistano respondeu, ao ser questionado a respeito do baixo salário das professoras, que elas não ganhavam mal, mas sim eram mal casadas. O supra-sumo da canalhice, muito ao gosto deste senhor, que ainda hoje custa a deixar a política. Mas, voltando ao tema, naquela época, meu pai era vendedor ambulante, tinha um carro, se não me falha a memória, um Jeep ano 1951, cinza chumbo, comprado a duras penas e perdido para um mau caráter. Ele comprava e revendia enxovais, roupas de cama, mesa, banho, roupas de trabalho, etc. Ele saía pela manhã e visitava as fazendas e também algumas pequenas cidades da região de São Carlos, para poder trazer o sustento da família. Cada dia era um local diferente, e muitas vezes, nas minhas férias, eu o acompanhei. Pois bem, naquela manhã de aula, o “Seu” Ulisses, estava questionando seus alunos a respeito da profissão de seus pais. Quando chegou minha vez, o professor me perguntou: - O que seu pai faz? – e eu respondi que era vendedor. Ele então me perguntou: - E onde ele está agora? – e eu respondi que não sabia. Minha resposta veio então seguida do seguinte comentário infeliz: - Que família desorganizada! O pai sai e o filho não sabe onde foi! Mesmo para um pirralho que tinha entre sete e oito anos, aquilo foi um choque. Uma observação daquela me magoou profundamente. Terminada a aula, sabe-se lá de que forma, voltei para casa e, como toda mãe que enxerga o que não aparece, D. Ambrozina me perguntou o que estava me incomodando. Contei a ela, o que havia ocorrido, procurando não deixar escapar nenhum detalhe. Ela repassou comigo várias vezes a história, para se certificar que não havia nenhum exagero, e me disse para não ficar preocupado e à noite, quando meu pai chegasse, era para eu contar tudo a ele, tal como havia feito com ela. Perto das seis horas, meu pai chegou, guardou o carro e eu fui até ele, abracei-o e contei tudo o que aconteceu. Meu pai me abraçou forte e disse para não ficar chateado, para dormir tranqüilo e que, na manhã seguinte, me levaria à escola. E assim foi feito. Quando chegamos, meu pai disse que era para eu ficar ao lado dele, e que iríamos falar com o “Seu” Francisco, o Diretor do Grupo
Escolar Bispo Dom Gastão. Na sala da Diretoria, meu pai pediu que fosse chamado o professor Ulisses, para termos, os quatro, uma conversa para esclarecer alguns fatos ocorridos no dia anterior. Mesmo com a insistência do diretor, meu pai não adiantou o assunto, dizendo que falaríamos quando o professor chegasse. Eu me sentia muito seguro, ao lado do meu pai, e principalmente porque eu estava com a verdade do meu lado. Ao chegar, o professor foi cumprimentado pelo meu pai, e já me pediu para contar novamente o que havia ocorrido. O professor quis interromper minha explicação, mas meu pai o impediu, dizendo que ele teria oportunidade de se expressar, após minha explanação. O professor então, disse que não era bem assim que havia ocorrido, e que eu havia entendido errado o que ele havia dito. Meu pai o lembrou que uma das tarefas de um mestre é garantir o entendimento correto por parte dos alunos, e que comentários como aquele não eram pertinentes em uma sala de aula, e nem a nenhum dos alunos ali presentes. Como ele nada poderia fazer pelos outros alunos, para vê-los livre deste infeliz comportamento, ao menos ao filho dele ele fazia questão que eu mudasse de sala, e se não fosse possível isso, que a mudança seria então de escola. O Diretor sugeriu que talvez houvesse um pouco de exagero da minha parte, mas meu pai disse que tinha plena confiança na educação que havia me dado, e que a mentira nunca fora tolerada em casa, porém se houvesse alguma dúvida quanto ao que eu havia relatado, ele preferia ficar com a minha palavra e sem a escola a tolerar aquele tipo de comentário a respeito de sua família. O resultado é que naquele mesmo dia, e a partir de então, eu teria aula com a Dona Terezinha, de quem também tenho uma história para contar, mas fica pra outra ocasião. Muitas lições me trouxeram aquele episódio e tenho absoluta certeza que, aquela atitude firme e assertiva de meus pais, forjaram o que eu viria a ser mais tarde. Creio que as pessoas que me conhecem, certamente irão reconhecer uma ligação desta história com alguma atitude minha. É isso.
Escolar Bispo Dom Gastão. Na sala da Diretoria, meu pai pediu que fosse chamado o professor Ulisses, para termos, os quatro, uma conversa para esclarecer alguns fatos ocorridos no dia anterior. Mesmo com a insistência do diretor, meu pai não adiantou o assunto, dizendo que falaríamos quando o professor chegasse. Eu me sentia muito seguro, ao lado do meu pai, e principalmente porque eu estava com a verdade do meu lado. Ao chegar, o professor foi cumprimentado pelo meu pai, e já me pediu para contar novamente o que havia ocorrido. O professor quis interromper minha explicação, mas meu pai o impediu, dizendo que ele teria oportunidade de se expressar, após minha explanação. O professor então, disse que não era bem assim que havia ocorrido, e que eu havia entendido errado o que ele havia dito. Meu pai o lembrou que uma das tarefas de um mestre é garantir o entendimento correto por parte dos alunos, e que comentários como aquele não eram pertinentes em uma sala de aula, e nem a nenhum dos alunos ali presentes. Como ele nada poderia fazer pelos outros alunos, para vê-los livre deste infeliz comportamento, ao menos ao filho dele ele fazia questão que eu mudasse de sala, e se não fosse possível isso, que a mudança seria então de escola. O Diretor sugeriu que talvez houvesse um pouco de exagero da minha parte, mas meu pai disse que tinha plena confiança na educação que havia me dado, e que a mentira nunca fora tolerada em casa, porém se houvesse alguma dúvida quanto ao que eu havia relatado, ele preferia ficar com a minha palavra e sem a escola a tolerar aquele tipo de comentário a respeito de sua família. O resultado é que naquele mesmo dia, e a partir de então, eu teria aula com a Dona Terezinha, de quem também tenho uma história para contar, mas fica pra outra ocasião. Muitas lições me trouxeram aquele episódio e tenho absoluta certeza que, aquela atitude firme e assertiva de meus pais, forjaram o que eu viria a ser mais tarde. Creio que as pessoas que me conhecem, certamente irão reconhecer uma ligação desta história com alguma atitude minha. É isso.
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