Passando pelo trânsito vagaroso da Marginal Pinheiros, notei que algumas placas estavam adulteradas e, muito embora seja uma agressão ao patrimônio público, não deixa de mostrar uma grande criatividade do autor. As fotos foram tiradas no celular, portanto não têm muita qualidade. Mas vale a pena ver.
Aqui deixo meus comentários sobre o cotidiano. Minhas idéias, meu jeito de ver o mundo, minhas lembranças, enfim...um pouco de mim.
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
quinta-feira, 19 de junho de 2008
Aventuras doloridas
Nasci em um tempo que dar à luz em casa era o comum. Hoje, graças a algumas iniciativas “pioneiras” e, portanto, corajosas, parece que as mulheres estão redescobrindo esta forma natural de por gente no mundo (certo Jamile?). Então, como ia dizendo, nasci em uma casa na Vila Prado, hoje ela já não existe mais. Na época a casa já era velha. Tinha um quintal bem grande, bananeiras e muito lugar para brincar. Um dia, eu e o Rique estávamos brincando...Bem, é melhor refrasear...Um dia, o Rique estava tentando brincar e eu tentando me intrometer na brincadeira dele. Ele estava fazendo um arco de bambu, com algumas flechas e a idéia era flechar a pobre da bananeira. Lá pelas tantas, depois de feitas as flechas, eu resolvi segurar todas nas minhas mãos, e assim garantir a condição de que eu seria o primeiro a atirar, algo que era muito importante para mim, ainda que até hoje eu não faça a menor idéia do motivo pelo qual era importante. Então foi nesse momento que o Rique me pediu para buscar um alicate, creio que era para poder finalizar o arco e iniciar a brincadeira. Eu sempre muito esperto (lembra da lata na cabeça, não é?) resolvi que, para não perder a chance de ser o primeiro, resolvi levar comigo todas as flechas. Espertíssimo! Para entrar em casa, havia uma pequena escada de três degraus onde, ao subir, acabei escorregando. E para evitar dar com a cara no chão, protegi a queda com as mãos. Pois é, nem preciso dizer que uma das flechas abriu um belo de um rasgo no meu queixo. Minha mãe, acostumada a tratar ferimentos com água morna e bálsamo, ao tentar limpar o machucado, percebeu que não se tratava de um pequeno raspão, e sim que era algo mais sério e necessitava de maiores cuidados. E lá fomos nós, eu e minha mãe, segurando uma toalha junto ao meu queixo que jorrava sangue. A pobre devia estar com as pernas bambas, mas nessas horas mãe não tem tempo de sentir medo, faz o que é preciso e, se der tempo, chora depois. Primeiramente fomos até o Posto de Saúde da Vila Prado e o enfermeiro que examinou disse que era preciso dar pontos, o que não poderia ser feito ali. Fomos então até o Pronto Socorro da Avenida São Carlos (onde é até hoje), e uma vez mais minha mãe foi informada que a linha que tinham ali era muito grossa e que era preciso ir até a Santa Casa. Acho que fomos de ônibus. Chegando lá fui atendido e, finalmente, ganhei três pontos no meu queixo. Ainda é
possível ver a cicatriz dessa minha aventura. Saí de lá com um curativo, que me deixava com a aparência de um faraó que eu havia visto em um livro, que tinha um enfeite no queixo.
possível ver a cicatriz dessa minha aventura. Saí de lá com um curativo, que me deixava com a aparência de um faraó que eu havia visto em um livro, que tinha um enfeite no queixo.Tive outras passagens em que foi necessário recorrer ao sistema de saúde da cidade. Um escorregão ao entrar correndo na sala, que estava sendo limpa, fez com que uma tachinha de pregar passadeira (algo como um tapete comprido, preso por tachinha e que ia de uma porta à outra na sala) abriu uma brecha na minha mão esquerda. A preparação de um sanduíche de pão com queijo prato, cortado em uma máquina de cortar frios, e com um pedaço de queijo já no finalzinho, cortou a falange do dedo mínimo da mão esquerda em duas partes quase iguais e também a minha vontade de comer o sanduíche, é óbvio. Assim, essas lembranças deixaram marcas na minha memória, e principalmente, nas partes do corpo atingidas. Mas, imagino como deve ter sido barra pesada para minha mãe agüentar tanto sangue. Valeu, D. Ambrozina. Brigadão pela força.
quinta-feira, 5 de junho de 2008
O aeromodelo
Primeiramente tenho que mencionar duas importantes leis. A primeira é uma lei da Física. Um cordão, com um objeto preso a uma de suas extremidades e segurado pela extremidade oposta, quando submetido a um movimento giratório, faz com que o objeto descreva um movimento circular, de raio igual ao comprimento do cordão. Se em determinado momento, o objeto ou parte dele, por qualquer força exercida, se desprende do cordão, segue em linha tangencial ao movimento giratório, até que perca a força e cai, ou até que encontre um obstáculo que, se for mais duro deforma o objeto em questão e se for menos duro deforma o obstáculo encontrado. (Espero que a Martha e a Barbara me perdoem se isso for uma heresia). A segunda é conhecida mundialmente como a primeira lei de Murphy: Se alguma coisa tem a possibilidade de dar errado, dará. Além disso, dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo que cause o maior estrago possível. Muito bem, declaradas as leis, vamos propriamente à história. Eram os idos de 1.969, logo após a realização do sonho americano, que colocou um homem na Lua. Eu, que já era fanático por aviões, e máquinas voadoras, estava alucinado com a idéia de uma dessas ter conseguido a grande façanha. Minha infância foi bem servida de brinquedos, simples, pouco sofisticados, mas eu compensava isso com uma baita de uma imaginação e desenfreada criatividade. Eu tinha um aviãozinho feito de um plástico pouco rígido, alaranjado, ele tinha as hélices brancas, e um pilotinho que mostrava somente as mãos segurando o manche e a cabeça com seu capacete. O danado do piloto era bem feinho, e somente muito tempo depois é que fui saber que direção de avião se chamava manche. Pois bem, eu estava brincando com este aviãozinho. Meus braços eram a propulsão e a vibração dos meus lábios o ronco dos motores. Então, me veio a idéia de transformar aquele mísero avião em um poderoso aeromodelo, como um que tinha visto em algum lugar. Peguei um barbante, fiz um pequeno furo na extremidade de uma das asas e prendi o barbante ali, com um nó bem apertado. Tão logo comecei a girar o avião, percebi que meu invento tinha uma falha de projeto, pois o avião não se mantinha em posição de vôo. Ele ficava dando piruetas, sem controle. Então me veio uma idéia. Eu imaginei que colocando um peso no avião, faria com ele se mantivesse na posição que eu desejava. Então, como uma das outras brincadeiras que eu gostava era jogar bolinha de gude, peguei a maior que eu tinha. Era uma bola de aço, bastante pesada, e decidi que aquele seria o objeto ideal para dar sustentação ao meu aeromodelo. Peguei uma tesoura e, com muito cuidado, decepei a cabeça do pobre piloto feio. O cuidado era com os meus dedos, bem entendido. Forcei a bola de gude no recorte até que ela se encaixou ali. Voltei ao meu campo de prova, que era o quintal, e comecei a testar minha engenhosa idéia. Fiquei feliz ao ver que, ainda que não totalmente, mas o avião ganhou um jeito de que estava voando. E, empolgado com o sucesso, fui acelerando cada vez mais, fui girando, girando, girando, e...num conluio cósmico, as duas leis que mencionei no início, se juntaram. O “objeto” em questão era o avião e a “parte dele” era a bola de gude. O “obstáculo” era o vidro da janela da casa vizinha, que por ser “menos duro”, ficou toda “deformada”. Bem, é óbvia a atuação da segunda lei na questão. Assim que consegui compreender o que havia ocorrido, que coincidentemente, quando o avião voltou a fazer piruetas descontroladas, ouvi um barulho de vidro quebrado, tratei de esconder meu invento e, disfarçadamente, como quem acaba de aterrissar usando suas próprias asas, fui para dentro de casa. A pobre vizinha, coitada, deve ter pensado que aquele objeto de metal, certamente era uma das peças daquela geringonça, o tal de foguete, que passou na televisão (preto e branco, com um plástico colorido na frente da tela), que estavam falando que tinha ido para a Lua e que ia soltando pedaços no céu. E uma dessas peças soltas tinha que cair justamente na sua janela? Que falta de sorte! A minha e a dela.
terça-feira, 27 de maio de 2008
Uma mistura para o arroz
Eu não sabia, e nem sei até hoje, o nome daquela senhora. Não era parente nossa. Nem sequer uma vizinha conhecida. Sei que carregava nos ombros o peso da idade avançada, tinha sempre um lenço envolvendo os brancos cabelos presos, e era bem magrinha. Não sei de onde vinha e muito menos para onde ia. A única coisa que sei é que, sempre que eu a via, sentia uma vontade enorme de lhe dar alguma coisa. Normalmente era para comer. Corria para a quitanda e dizia para meu pai: - Papai, o que a gente pode dar pra minha amiga? E nunca houve sequer um sinal negativo para que algo fosse dado à aquela simpática senhora. Não me recordo muito bem, mas creio que ela sempre dizia: - Deus lhe pague, filho, vou levar para casa para comer com arroz. Acho que era mesmo só isso que ela contava para dar algum sabor diferente à sua parca refeição. Talvez minha mãe saiba mais sobre esta senhora, talvez não. Para mim basta saber que, ao avistar aquela velhinha, eu sentia vontade, quase uma necessidade de dar alguma coisa pra ela. Não sei quanto tempo durou esta história. Acho que cresci com esta figura na cabeça. Uma senhora, a quem eu gostava de dar algo, para ela comer com arroz. Se a minha memória não me trai agora, creio que minha mãe ficou sabendo o dia que ela morreu. Creio até que ela mandou rezar uma missa para ela, mesmo sem saber seu nome. É claro que o nome dela não importava, a intenção era mais forte. E com certeza Deus sabia para quem direcionar as orações e pedidos feitos naquela celebração. Como eu decidi escrever fatos que ocorreram na minha infância, e que marcaram minha via, esta história não poderia ser esquecida. O que será que me levava a agir daquela forma? Era um desejo inocente de ajudar alguém que passava necessidade? Seria ela alguém que, de alguma forma, já havia feito parte da minha existência? Não, sei e acho que dificilmente saberei a resposta. A verdade é que hoje me faz bem saber que, na minha infância, passou uma pessoa a quem eu, de uma forma muito singela, pude ajudar. Não esperava agradecimento ou recompensa, bastava para mim saber que eu tinha dado algo para ela. E tenho certeza que ela saía bem feliz, com o doce, o salgado, a fruta, ou outra coisa, seguindo seu caminho, e que em algum momento, mais tarde, ela se sentaria à mesa, se é que ela tinha uma, preparava seu arroz e o degustava, como quem prova o prato mais raro que existe, porção por porção, e entre uma colher e outra, um pedacinho do meu presente. Esta história eu termino com uma lágrima que eu teimo em conter, mas ela, desobediente que é, se põe a rolar. Certamente, Deus já me pagou.
terça-feira, 20 de maio de 2008
Uma piada fora de hora
Naqueles anos 60 e tantos, quando muita gente tomava borrachada da polícia e era torturada pelos porões da ditadura instaurada, eu, sem a menor noção de que isso pudesse estar ocorrendo, tive meu dia corretivo. Estava eu praticando meu esporte favorito de caçula, que era perturbar os irmãos mais velhos. Era uma bela tarde de final de semana, creio que era Sábado. Meu irmão estava se preparando para sair, fazendo a barba, e eu lá, pentelhando a vida dele. A dose foi tão grande, que, de repente, o meu mano disse: -Agora chega, não agüento mais! Fique quieto! Não quero ouvir mais nenhum pio! Eu, no alto de toda minha experiência e com um questionável senso de humor, naquele mesmo instante, soltei um som tão baixinho quanto fininho: - Piiiio! Pois é, mas não foi baixinho o suficiente. Meu irmão ouviu, e ato contínuo, deu-me um tapão daqueles que, só de lembrar, meu ouvido dá sinal de ocupado. Foi desse jeito. Eu achei que aquela piada era uma boa piada. Mas, meu irmão não gostou da piada, nem achou graça da piada. É claro que eu chorei, afinal o tapão não foi para tirar a poeira. E também fiquei muito chateado naquele momento. Mas, depois entendi. Aliás, este meu mano sempre me deu valiosíssimas lições de vida. A bem da verdade, para ser justo, não foi só ele. Por ser o caçula, e todos os meus irmãos terem uma diferença de idade considerável (eles vão odiar quando lerem esta frase), eu fui uma espécie de cobaia para eles, que no futuro seriam pais e mães. Testavam em mim, a forma como agiriam no futuro com seus próprios filhos. Algumas vezes as lições doíam, mas sempre traziam uma dose generosa de amor. Até porque, tenho que reconhecer que haviam, em maior número, momentos de declarada corujisse e bajulação ao caçula.
Não sei se meu irmão Avelino se lembra desta história, mas eu jamais esqueci. Não porque fiquei com raiva, mas porque depois de ter refletido a situação toda, compreendi que eu precisa respeitar as pessoas, principalmente quem era mais velho (e mais forte). Sempre que me deparo com uma situação engraçada, mas que pode vir a perturbar quem, por estar envolvido com o tema, certamente não vai gostar, me seguro, conto até dez, respiro fundo e deixo para soltar a piada depois, quando o momento já está frio e, portanto, mais fácil de digerir. Valeu, mano, por mais esta lição.
Não sei se meu irmão Avelino se lembra desta história, mas eu jamais esqueci. Não porque fiquei com raiva, mas porque depois de ter refletido a situação toda, compreendi que eu precisa respeitar as pessoas, principalmente quem era mais velho (e mais forte). Sempre que me deparo com uma situação engraçada, mas que pode vir a perturbar quem, por estar envolvido com o tema, certamente não vai gostar, me seguro, conto até dez, respiro fundo e deixo para soltar a piada depois, quando o momento já está frio e, portanto, mais fácil de digerir. Valeu, mano, por mais esta lição.
sábado, 17 de maio de 2008
Uma lata na cabeça
Como caçula, quando criança vivia atrapalhando a brincadeira dos maiores. Lembro-me de um dia em que, juntaram todas as crianças, inclusive eu, bem no meio da rua. Alguém pegou uma lata de óleo, daquelas antigas, que eram quadradas, jogaram para cima e gritaram: -cabeça de quem cair, burro de quem fugir. E eu, numa atitude de extrema esperteza, e também para não ser tachado de burro, permaneci ali, parado, esperando a lata cair, enquanto todos os demais, burros, saíram correndo. Pois é, não deu outra, a maldita lata caiu exatamente na minha cabeça. Ok, mas eu não era burro, por que eu não fugi.Fico pensando que, algumas vezes, tem muita gente que age assim. Mesmo com um cenário totalmente adverso, continua agindo de uma forma que certamente vai levar a um final ruim. Talvez por uma necessidade questionável de fazer-se parecer inteligente, adotam uma atitude que os levará a obter exatamente o resultado contrário do que querem demonstrar. Talvez por não conseguir sair um pouco do problema, e avaliar de uma forma diferente, agem de maneira a piorar ainda mais a situação.
Ok, vamos lá...
Resolvi entrar nessa onda de blog. As vezes temos algo a dizer, mas nem sempre a quem. Outras vezes, temos algo a dizer e queremos dizer para várias pessoas. Creio que esta seja uma ferramenta para sanar estas questões.
Gosto de escrever, e então vou me dar bem por aqui.
Espero que possa ser ao menos divertido para alguém.
Gosto de escrever, e então vou me dar bem por aqui.
Espero que possa ser ao menos divertido para alguém.
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