Aqui deixo meus comentários sobre o cotidiano. Minhas idéias, meu jeito de ver o mundo, minhas lembranças, enfim...um pouco de mim.
quinta-feira, 5 de junho de 2008
O aeromodelo
Primeiramente tenho que mencionar duas importantes leis. A primeira é uma lei da Física. Um cordão, com um objeto preso a uma de suas extremidades e segurado pela extremidade oposta, quando submetido a um movimento giratório, faz com que o objeto descreva um movimento circular, de raio igual ao comprimento do cordão. Se em determinado momento, o objeto ou parte dele, por qualquer força exercida, se desprende do cordão, segue em linha tangencial ao movimento giratório, até que perca a força e cai, ou até que encontre um obstáculo que, se for mais duro deforma o objeto em questão e se for menos duro deforma o obstáculo encontrado. (Espero que a Martha e a Barbara me perdoem se isso for uma heresia). A segunda é conhecida mundialmente como a primeira lei de Murphy: Se alguma coisa tem a possibilidade de dar errado, dará. Além disso, dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo que cause o maior estrago possível. Muito bem, declaradas as leis, vamos propriamente à história. Eram os idos de 1.969, logo após a realização do sonho americano, que colocou um homem na Lua. Eu, que já era fanático por aviões, e máquinas voadoras, estava alucinado com a idéia de uma dessas ter conseguido a grande façanha. Minha infância foi bem servida de brinquedos, simples, pouco sofisticados, mas eu compensava isso com uma baita de uma imaginação e desenfreada criatividade. Eu tinha um aviãozinho feito de um plástico pouco rígido, alaranjado, ele tinha as hélices brancas, e um pilotinho que mostrava somente as mãos segurando o manche e a cabeça com seu capacete. O danado do piloto era bem feinho, e somente muito tempo depois é que fui saber que direção de avião se chamava manche. Pois bem, eu estava brincando com este aviãozinho. Meus braços eram a propulsão e a vibração dos meus lábios o ronco dos motores. Então, me veio a idéia de transformar aquele mísero avião em um poderoso aeromodelo, como um que tinha visto em algum lugar. Peguei um barbante, fiz um pequeno furo na extremidade de uma das asas e prendi o barbante ali, com um nó bem apertado. Tão logo comecei a girar o avião, percebi que meu invento tinha uma falha de projeto, pois o avião não se mantinha em posição de vôo. Ele ficava dando piruetas, sem controle. Então me veio uma idéia. Eu imaginei que colocando um peso no avião, faria com ele se mantivesse na posição que eu desejava. Então, como uma das outras brincadeiras que eu gostava era jogar bolinha de gude, peguei a maior que eu tinha. Era uma bola de aço, bastante pesada, e decidi que aquele seria o objeto ideal para dar sustentação ao meu aeromodelo. Peguei uma tesoura e, com muito cuidado, decepei a cabeça do pobre piloto feio. O cuidado era com os meus dedos, bem entendido. Forcei a bola de gude no recorte até que ela se encaixou ali. Voltei ao meu campo de prova, que era o quintal, e comecei a testar minha engenhosa idéia. Fiquei feliz ao ver que, ainda que não totalmente, mas o avião ganhou um jeito de que estava voando. E, empolgado com o sucesso, fui acelerando cada vez mais, fui girando, girando, girando, e...num conluio cósmico, as duas leis que mencionei no início, se juntaram. O “objeto” em questão era o avião e a “parte dele” era a bola de gude. O “obstáculo” era o vidro da janela da casa vizinha, que por ser “menos duro”, ficou toda “deformada”. Bem, é óbvia a atuação da segunda lei na questão. Assim que consegui compreender o que havia ocorrido, que coincidentemente, quando o avião voltou a fazer piruetas descontroladas, ouvi um barulho de vidro quebrado, tratei de esconder meu invento e, disfarçadamente, como quem acaba de aterrissar usando suas próprias asas, fui para dentro de casa. A pobre vizinha, coitada, deve ter pensado que aquele objeto de metal, certamente era uma das peças daquela geringonça, o tal de foguete, que passou na televisão (preto e branco, com um plástico colorido na frente da tela), que estavam falando que tinha ido para a Lua e que ia soltando pedaços no céu. E uma dessas peças soltas tinha que cair justamente na sua janela? Que falta de sorte! A minha e a dela.
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