quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Las Mariposas



Começo desta semana, madrugada, zapeando encontrei um filme começando. O nome era sugestivo e a atriz me fez começar a ver o filme, que gostei muito e me levou a guardar em minhas memórias. O nome do filme: “No tempo das borboletas”, a atriz: a mexicana Salma Hayek. Dona de uma beleza quase agressiva, e um grande talento, ela soube dar à personagem real Minerva Mirabal, a grandeza que merecia. Lançado em 2001 com título original de “In the time of the butterflies”, é a história real de uma terrível fase da ditadura do General Rafael Trujillo, El Jefe, tirano interpretado de forma brilhantemente odiável por Edward James Olmos, que assombrou a República Dominicana nos anos de 1930 até 1961.

Minerva Argentina Mirabal, conhecida entre seus amigos como “la mariposa”, tenta mostrar a uma população mantida cega pelo permanente estado de medo, a verdade a respeito de seu ditador, e obviamente acaba sendo caçada, torturada e finalmente morta covardemente pelo regime despótico. Suas irmãs, Antonia María Teresa “Mate” Mirabal (Mía Maestro) e Patria Mercedes Mirabal (Lumi Cavazos), passam a ser conhecidas como Las Mariposas depois que acabam se engajando na luta e são barbaramente mortas junto com Mercedes. Um ano depois da morte de Las Mariposas, Trujillo é assassinado e tem fim seu governo, marcado pela extrema violência.


Cena do filme


A partir de 1999, o dia 25 de novembro, data em que foram emboscadas e mortas em 1960, passa a ser comemorado como o Dia Internacional da Não Violência contra a Mulher, instituído pela ONU. 

Para conhecer um pouco mais sobre esta história, sugiro o excelente texto do Professor Odilon Cabral Machado no link abaixo.



Vale a pena ler e ver o filme.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Corações sujos e mentes confusas


Acabei de ler “Corações Sujos – A história da Shindo Renmei”, de Fernando Morais, Cia. das Letras, devidamente emprestado pela amiga Albany. Enquanto lia eu me intrigava se aquilo havia ocorrido aqui, no Brasil. Foi difícil de acreditar. Não porque duvidasse do excelente trabalho de pesquisa, mas por nunca ter imaginado que aqueles fatos pudessem ter como palco, aquela pacata região.

Em uma das minhas “encarnações”, fui vendedor de calçados e a região da Alta Paulista era uma das que eu atuava. Durou pouco tempo, mas foi o suficiente para sentir esta calma e bucólica região de São Paulo. Jamais poderia relacionar esta região aos fatos narrados na história habilmente contada por Fernando Morais, por quem já havia me tornado fã desde “Olga”.

História real do Brasil, pouquíssimo comentada mas que pode mostrar um pouco do que se passava naquele conturbado momento do país.

Os personagens reais são assim mesmo. Não são nem só mocinhos, nem só bandidos. São vilões com alma de herói e heróis com alma de vilão. Desinformação, desmandos, justiças pelas próprias mãos, enfim, tudo que me faz prender a um livro.

Recomendo ler antes de ver o filme, que já gostei só de ver o trailer.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Yo no creo en brujas, pero...


De um bate papo, cortando o cabelo, momento e local altamente propício à filosofia e divulgação de cultura inútil, surgiu a curiosidade de saber de onde poderiam estar as origens de algumas crendices que estão arraigada em nossa mente, sem sequer darmos conta de onde surgiram e nem se têm algum fundamento. Munido de insônia e curiosidade, lancei-me na blogosfera à garimpar algumas explicações. Não posso garantir nenhuma delas, mas me parecem convencer. Então vamos ver algumas:


QUEBRAR ESPELHO DÁ AZAR
Este objeto, criado na Itália no século XIII, era feito com prata pura, e portanto caríssimo. Que os possuia tinha medo que as pessoas que fossem limpá-los pudessem quebrá-los, e por isso eram advertidas que, caso fossem quebrados, teriam muitos anos de azar.


MANGA COM LEITE
Conta-se que na época do Brasil Colônia, o leite era uma alimento caro, e portanto deveria ser consumido somente pelos patrões e não pelos escravos, os primeiros trataram de espalhar um boato que leite com manga fazia muito mal, uma vez que os escravos gostavam muito dessa fruta, e havia em abundância. Desse modo surgiu a lenda que a mistura faz mal, mas o mal que fazia era para o bolso dos senhores que não queriam dividir o leite com os escravos.


GATO PRETO
Também na Idade Média, acreditava-se que as bruxas, quando transformadas em animais, preferiam fazê-lo na pele de um gato preto. Isso significava que, ao encontrar-se com um gato preto, poderia ser muito provável que o mesmo era uma bruxa disfarçada.


PASSAR POR BAIXO DE ESCADA
Na Idade Média, quando um castelo era atacado, utilizavam-se escadas para poder escalar os altos muros. Contra-atacando os que se arriscavam nessa empreitada, jogavam-se barris de óleo fervente que atingia não somente os que estavam subindo pela escada como também que estava passando por baixo da mesma. Daí o azar.


BATER NA MADEIRA
Ao observar que os raios geralmente caíam nas árvores, os nossos antepassados acreditavam que estas plantas poderiam trazer em seu interior uma morada para divindades que, ao serem requisitadas, deveriam ser acordadas pela batida com o nó dos dedos.




Se você tem uma história, acrescente-a nos comentários e compartilhe seus conhecimentos e colabore para o aumento da cultura inútil, mas lembre-se que são só crendices e superstições, afinal, como diria o velho vigário Quevedo: "isso non eczixte".

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

O primeiro computador a gente nunca esquece.


O primeiro computador que tive acesso, para poder mexer mesmo, foi um TK-82-C, graças à aquisição feita por Antonio José dos Santos, um companheiro de muitas horas que, de alguma forma, já vislumbrava o futuro.

Anos 80. Era um aparelho, (http://www.museo8bits.es/tk82.htm) pouco maior que uma calculadora, com teclado de membrana, que a gente ligava na televisão (aí já começava um grande desafio: a disputa com quem queria ver novelas, filmes, etc. - razão pela qual, diga-se, existia a TV).

Ao ligar, na tela da TV aparecia um cursor, ou seja, um retangulozinho piscando, que era o “prompt”. Este computador tinha uma incrível memória de 2 kb. Isso mesmo, 2 kbytes. Para comparar, hoje um DVD de 4,7Gb poderia conter o equivalente a 2.350.000 TK. Algum tempo depois, esses 2 kbytes ficaram insuficientes, e foi então necessário usar a possibilidade de instalar uma expansão para 16 kbytes. Hoje qualquer celular, do mais simples, tem memória de 16 Gb e é, portanto, 500 mil vezes maior que o TK-82-C expandido.

Tínhamos que aprender a linguagem Basic, para poder programar algo. Mas esta linguagem era bastante acessível, visto que se assemelhava a comandos inteligíveis como: PRINT, FOR – NEXT, IF – THEN – ELSE, GOTO, GOSUB, e tantos outros, sempre em inglês, óbvio.
A opção era uma linguagem chamada Assembler, que consistia um amontoado de hexadecimais, extremamente difícil de aprender: 0A 12 B2 4C, FF 1B E4 28 e por aí vai.





Nessa época, também vendido pela Microdigital, surgiu o TK-83 (http://www.marceloeiras.com.br/museu/propaganda_tk90.htm) e o TK-85 (http://www.mci.org.br/micro/microdigital/tk85.html) com inacreditáveis 64 kb de memória. Apareceram por aqui também o Apple II (http://oldcomputers.net/appleii.html) e o “nacional” CP-500 (http://www.museudocomputador.com.br/cp500.php).

Sabíamos que estávamos muito atrasados em relação a outros países, também na computação, mas mesmo assim era tudo uma grande e deliciosa novidade.







Por volta de 1984 ou 1985, minha irmã, Maria Tereza, comprou um TK 2000 II (http://www.bojoga.com.br/2010/01/17/tk-2000/), com 64 kb de memória e, acreditem, era colorido! Isto é, se fosse ligado a uma TV colorida. Se já era difícil ter uma TV disponível para ligar um computador, imagine se era a colorida. Preciso reconhecer que me apossei descaradamente do computador da minha irmã, e lá fui eu fazer mais joguinhos (Desculpe-me Tê, e muito obrigado). Mas, sem me dar conta, estava desenvolvendo minha capacidade lógica. Algo que me ajuda profissionalmente até os dias de hoje.

Em casa, fizemos muitos joguinhos para usar o que havíamos aprendido em Basic. E foi muito interessante, quando me deparei com um Apple II no laboratório de testes da Pereira Lopes, empresa que eu trabalhava. Graças a outro companheiro, o Sidney Morelli, ter convencido o chefe dele que, se comprasse um computador pessoal, poderia fazer o monitoramento 24 horas de alguns testes de geladeiras. (O Ney que me perdoe se estou enganado a este respeito).

E da produção de joguinhos, conheci e passei a usar ferramentas como Lotus 1-2-3, Wordstar e poucos outros programas disponíveis, mas aí vieram os “poderosos” PC-XT (http://be8bits.com/?p=147), PC-AT 286, 386, 486 e finalmente “Pentium”, e com eles a estratosférica gama de programas que é impossível conhecermos todos.

Ok, chega de saudosismos e naftalina, mas as vezes me pego pensando: E como será o computador do futuro?



Como este da foto?




Ou talvez como este do vídeo?


Ou seria melhor questionar: Haverá computador?