terça-feira, 22 de novembro de 2011

22 de Novembro - Dia do Músico


Hoje é dia do músico. Ser que tira o som de onde não há, faz vibrar um tom roubado da natureza, acrescenta ou não a poesia e lança um encanto, que de magia enche o momento.

A pouco me dei conta que, nas partituras ou partes duras da vida, sempre estive ligado de algum modo a música. No berço, fui embalado por um som de viola, daquela cabocla mesmo, lavrada da madeira, riscada no fogo e polida com cera. De ponteado em ponteado, para a paz do sono ia sendo levado. Pinho que era acariciado pelo Seu Tunico, caboclo brabo, talhado nas dificuldades da vida, e desde muito menino, desafiado na dureza da realidade. De quando em vez, Dona Ambrozina me ninava com uma canção lembrada da sua curta infância, quase perdida nos cantões da memória.

Nunca consegui aprender um acorde sequer nas dez cordas da viola, e tive que me contentar com as seis do violão, trilhado nos vigus das bancas, que até hoje guardo em pasta, já amarelados pelo tempo, mas com muitas letras e acordes gravados na memória. Toquei em missa, quando ainda me fazia sentido, em serenata, em festas, e até em festivais me aventurei.

Acompanhado pelo coral das três meninas do Brasil, afirmamos que I want to go back to Bahia, sem nunca termos estado lá. Mas que nada, quantas vezes entrei numa wave, para não deixar que o cotidiano me engolisse, nem o nº 2, afinal eu ainda tenho meu violão. Pelos bailes da vida, jamais neguei as origens, e junto com Chico Mineiro, fiz muita gente se lembrar de um menino da porteira e depois seguir a ventania do cavalo preto. Lá pelas tantas, quando o som se tornava mais etílico, vi muita gente rindo da italianíssima Concheta, que com uma língua de trapo, espiava num xerox escuro, que mal dava pra ver as letras. Aliás, esse é o melhor momento da violada. Quando diminui o sangue na corrente alcoólica, todo mundo canta, todo mundo sabe a letra, todo mundo vira músico e solta a voz na estrada.

Parabéns a todos os músicos, pelo seu dia e muito obrigado, pelas nossas noites.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Marina, que era bonita com o que Deus lhe deu.


Li, de uma tacada só, as 192 páginas do novo livro de Carlos Ruiz Zafón, “Marina”. Eu já era fã deste espanhol, por ter lido “A Sombra do Vento” e “O Jogo do Anjo”, e quando vi anunciado este lançamento, fiquei curioso por conhecê-lo. Tendo comentado isso com Albany, uma querida amiga apreciadora da boa leitura, ela que já havia comprado, me emprestou. E não fiquei decepcionado. A narrativa é envolvente, aguça a curiosidade e, lugar comum ou não, nos faz não querer largar do livro.
Em “Marina”, um jovem estudante de um internato de Barcelona, narra uma história de suspense, tendo como base o seu relacionamento com a também jovem Marina. Nos anos 1980, andando pelas ruas da cidade, o casal se depara com estranhos personagens e situações, que acabam por coloca-los em uma história que, embora pertencente ao passado, não havia tido o devido desfecho que se imaginava. Repleto de mistérios e suspense a cada instante da narrativa, fui “devorando” as palavras, até encontrar um final inesperado.

No final fiquei com aquela sensação de que queria que a história tivesse continuado e com uma dúvida: - O que acabei de ler era um suspense que conta uma história de amor, ou o contrário?

Se acreditam em mim, boa leitura!

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

As gralhas

Minha dica de leitura é para o livro de Ken Follett, Jackdaws - Agentes Especiais – Editora Rocco – 482 páginas.

Tendo como cenário a Segunda Guerra Mundial, o autor desenvolve uma trama cheia de surpresas e nenhuma monotonia. Trata-se de um grupo feminino de agentes britânicas do S.O.E. – Special Operations Executive, cujo codinome é Jackdaws, são lideradas pela agente Felicity “Flick” Clairet, e com pouquíssimo treinamento, têm a difícil missão de inutilizar uma importante central telefônica alemã, na França ocupada e às vésperas do Dia D.

Com tempo escasso para cumprir a missão, elas são perseguidas por um oficial da inteligência nazista, Dieter Franck, que por diversas vezes é passado para trás por Flick, e isso só faz crescer no alemão a vontade de capturar e se vingar da agente britânica.
Ken Follett

É uma leitura envolvente que, para pessoas visuais como eu, dá a impressão de estar vendo um filme. As histórias de vida e as personalidades de cada um dos personagens, são habilmente descritas pelo autor, dando uma excelente dimensão dos motivos que os levam a tomar decisões e o modo de agir de cada um deles.

Também para quem gosta do tema da Segunda Grande Guerra, o livro tem descrições detalhadas de armas, carros, artimanhas, códigos, disfarces, e tudo o que envolveu a guerra daquela época.

Boa leitura!