terça-feira, 21 de setembro de 2010

A profecia e o tubarão

O ano era 1976 ou 1977, não me lembro exatamente, mas sei que eu morava em Ribeirão Preto, com meus pais, minha irmã Maria Tereza e minha sobrinha Jamile, que tinha 1 ano de idade. Eu estava então com dezesseis anos e nessa época, eu não era de sair muito, ainda, porque depois eu tirei o atraso, mas isso fica para uma outra ocasião, o que quero lembrar hoje é uma vez que fomos ao cinema, eu, minha irmã e uma amiga dela, que creio que o nome dela era Mizuy ou Midori (percebo agora que não é somente o ano que não me lembro). A onda do cinema na época era os filmes de suspense, e no antigo Cine Bristol, estava passando “A Profecia”. Entramos e o cinema estava lotado, e só havia lugares vagos, um ao lado do outro, na última fileira de trás, bem no topo da sala de projeção. Ali ficamos, e o filme começou, e o suspense foi prendendo a atenção de todos, cada vez mais. Quem viu o filme, certamente vai lembrar dessa cena que vou descrever agora. Estavam o pai do Demian e o fotógrafo, procurando a sepultura da que seria a mãe do Demian, em um cemitério, e óbvio, à noite. A cena era de muita tensão, e quando encontraram o túmulo, ao abrir encontraram somente um esqueleto de um animal, que se assemelhava a alguma raça canina. Nesse momento, surgiram de todos os lados, vários cães que começaram a persegui-los. Ao pular a grade do portão do cemitério, um deles tem o braço preso nas lanças, e os cães os alcançam. Neste exato momento, eu preso à cena, começo a sentir um frio gelado na minha nuca, e um barulho parecido com um “u”, longo e de tom grave. Pois bem, naqueles décimos de segundo, que pareceram horas, eu fiquei gelado, o coração acelerou e as mãos se fecharam ainda mais, até que pude recobrar o raciocínio e perceber que era tão somente o ar condicionado que havia sido ligado, e como estávamos na última fileira, uma das saídas estava exatamente sobre a minha cabeça. Naquele momento, eu não pude contar o que havia ocorrido, mas me lembro que depois demos muita risada com o caso, pois minha irmã também havia se assustado com o mesmo barulho.
Houve uma outra aventura que eu e minha irmã passamos, com o mesmo tema, de novo o cinema. Deve ter sido um ou dois anos antes deste que acabo de contar. Naquela ocasião, eu morava em São Carlos com minha irmã Nice, e meus pais e minha companheira de aventuras cinematográficas, moravam em São Paulo, na vila Nova Cachoeirinha. Era um lugar ainda novo, e com pouca infra-estrutura. Para sair de casa e chegar ao ponto de ônibus, tínhamos que atravessar uma rua, onde havia uma ponte sobre um riacho. Eu estava passando as férias por lá, e um dos dias, resolvemos ir ao cinema. O filme sensação do momento era Tubarão, o primeiro e melhor de todos. No final da tarde, ela chegou do trabalho, e mesmo com uma ameaça de chuva, decidimos que iríamos ver o filme. No momento que saímos, a chuva aumentou, mas a determinação (leia-se teimosia) era maior que a chuva, e lá fomos nós em direção ao ponto de ônibus. Porém, em pouquíssimo tempo, as enxurradas foram se avolumando, e quando chegamos à ponte, tentamos atravessá-la, mas a água inundou nossos sapatos e meias. Resultado da aventura, chegamos até o ponto, mas embarcados que estávamos, resolvemos voltar para casa. O interessante da história é que, ao atravessar a ponte, com o riacho já passando por cima dela, comentamos que talvez o tubarão nos pegaria. Ok, nem é tão engraçado assim, contando agora, mas naquele dia, naquele instante, pareceu a melhor piada do ano. Rimo-nos de nós mesmos, da situação em que nos metemos. Voltamos para casa e depois de nos secar, fomos para frente da TV, onde não havia tubarão, mas certamente era o lugar mais seco que queríamos estar.
Um dia desses, gostaria de ir de novo ao cinema com a Tê. Quem sabe que outras aventuras viveremos?

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