quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O Palácio de Inverno


Gostaria de compartilhar com os visitantes deste blog, o bom livro que acabei de ler. Trata-se de “O Palácio de Inverno” – John Boyne – Companhia das Letras, o mesmo autor de “O Menino do Pijama Listrado”. Como não quero me perder em clichês, nem tenho a menor pretensão de fazer deste texto uma crítica, transcrevo abaixo o texto publicado no site:
http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=12868

“Pode-se fugir da história? Será possível viver no anonimato após uma existência de fausto e glória? A vida comum é assim tão diferente da vida pública?
Geórgui Jachmenev passou a vida inteira se debatendo com essas questões, e agora, prestes a perder o grande amor de sua vida, tenta encontrar uma resposta para elas ao refletir sobre seu percurso num século XX que sempre lhe pareceu longo demais.
Seus feitos começaram cedo: aos dezesseis anos, em ação impulsiva e atabalhoada, o rapaz impediu um atentado contra a vida de ninguém menos que o grão-duque Nicolau Nicolaievitch, irmão do czar Nicolau II, que, agradecido, nomeou Geórgui o guarda-costas oficial de seu filho Alexei, destinado a ser o próximo czar. Uma reviravolta impressionante, que o levou da taiga russa para o fausto dos palácios moscovitas, cenário que, apesar da amplidão e luxo de seus imensos corredores, iria se revelar bem mais inóspito que os frios grotões de sua vida anterior.
A dura experiência com esse mundo gélido de intrigas palacianas, às quais sempre era jogado contra sua vontade, e de grandes tensões e responsabilidade só foi apaziguada com a chegada do primeiro amor, Zoia. Mas os tempos eram agitados, e a história deixou pouco espaço para idílios: quando a Revolução Bolchevique tomou de assalto o país, e isolou toda a família do czar numa casa de campo nos arredores de Ekaterinburg, mais uma vez Geórgui teve de agir rápido a fim de salvar a si e a Zoia. A vida com ela lhe custaria pátria, família e prestígio, e ele jamais se arrependeu disso - mas e para Zoia, o que teria custado?
Numa narrativa fascinante, em que presente e passado vão convergindo em capítulos alternados, da Inglaterra dos anos Thatcher para a época dos czares russos, e dos anos difíceis da Segunda Guerra Mundial para o turbilhão da Revolução Bolchevique, acompanhamos Geórgui em meio a acontecimentos históricos decisivos que acabam por se revelar mero pano de fundo para uma história de amor que esconde um grande mistério, talvez maior mesmo que a própria história.”


Além da boa história dos personagens fictícios, o autor mistura-os à história real, como comenta acima a nota. Algumas vezes fui consultar na internet, sobre os personagens reais que o autor trata, e lá estavam quase que em transcrição literal dos fatos. Recomendo.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

A profecia e o tubarão

O ano era 1976 ou 1977, não me lembro exatamente, mas sei que eu morava em Ribeirão Preto, com meus pais, minha irmã Maria Tereza e minha sobrinha Jamile, que tinha 1 ano de idade. Eu estava então com dezesseis anos e nessa época, eu não era de sair muito, ainda, porque depois eu tirei o atraso, mas isso fica para uma outra ocasião, o que quero lembrar hoje é uma vez que fomos ao cinema, eu, minha irmã e uma amiga dela, que creio que o nome dela era Mizuy ou Midori (percebo agora que não é somente o ano que não me lembro). A onda do cinema na época era os filmes de suspense, e no antigo Cine Bristol, estava passando “A Profecia”. Entramos e o cinema estava lotado, e só havia lugares vagos, um ao lado do outro, na última fileira de trás, bem no topo da sala de projeção. Ali ficamos, e o filme começou, e o suspense foi prendendo a atenção de todos, cada vez mais. Quem viu o filme, certamente vai lembrar dessa cena que vou descrever agora. Estavam o pai do Demian e o fotógrafo, procurando a sepultura da que seria a mãe do Demian, em um cemitério, e óbvio, à noite. A cena era de muita tensão, e quando encontraram o túmulo, ao abrir encontraram somente um esqueleto de um animal, que se assemelhava a alguma raça canina. Nesse momento, surgiram de todos os lados, vários cães que começaram a persegui-los. Ao pular a grade do portão do cemitério, um deles tem o braço preso nas lanças, e os cães os alcançam. Neste exato momento, eu preso à cena, começo a sentir um frio gelado na minha nuca, e um barulho parecido com um “u”, longo e de tom grave. Pois bem, naqueles décimos de segundo, que pareceram horas, eu fiquei gelado, o coração acelerou e as mãos se fecharam ainda mais, até que pude recobrar o raciocínio e perceber que era tão somente o ar condicionado que havia sido ligado, e como estávamos na última fileira, uma das saídas estava exatamente sobre a minha cabeça. Naquele momento, eu não pude contar o que havia ocorrido, mas me lembro que depois demos muita risada com o caso, pois minha irmã também havia se assustado com o mesmo barulho.
Houve uma outra aventura que eu e minha irmã passamos, com o mesmo tema, de novo o cinema. Deve ter sido um ou dois anos antes deste que acabo de contar. Naquela ocasião, eu morava em São Carlos com minha irmã Nice, e meus pais e minha companheira de aventuras cinematográficas, moravam em São Paulo, na vila Nova Cachoeirinha. Era um lugar ainda novo, e com pouca infra-estrutura. Para sair de casa e chegar ao ponto de ônibus, tínhamos que atravessar uma rua, onde havia uma ponte sobre um riacho. Eu estava passando as férias por lá, e um dos dias, resolvemos ir ao cinema. O filme sensação do momento era Tubarão, o primeiro e melhor de todos. No final da tarde, ela chegou do trabalho, e mesmo com uma ameaça de chuva, decidimos que iríamos ver o filme. No momento que saímos, a chuva aumentou, mas a determinação (leia-se teimosia) era maior que a chuva, e lá fomos nós em direção ao ponto de ônibus. Porém, em pouquíssimo tempo, as enxurradas foram se avolumando, e quando chegamos à ponte, tentamos atravessá-la, mas a água inundou nossos sapatos e meias. Resultado da aventura, chegamos até o ponto, mas embarcados que estávamos, resolvemos voltar para casa. O interessante da história é que, ao atravessar a ponte, com o riacho já passando por cima dela, comentamos que talvez o tubarão nos pegaria. Ok, nem é tão engraçado assim, contando agora, mas naquele dia, naquele instante, pareceu a melhor piada do ano. Rimo-nos de nós mesmos, da situação em que nos metemos. Voltamos para casa e depois de nos secar, fomos para frente da TV, onde não havia tubarão, mas certamente era o lugar mais seco que queríamos estar.
Um dia desses, gostaria de ir de novo ao cinema com a Tê. Quem sabe que outras aventuras viveremos?

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Momentos

Como há muito já disse Vinicius, hay dias que no se lo que me pasa, e aí bate uma baita de uma saudade arretada no peito, que de tão grande tem que explodir em algum canto, e desta vez explodiu nas extremidades dos dedos, que furiosos estão agora a martelar as teclas desta pobre máquina, a compor este juntado de letras e idéias. Quem sabe talvez martelasse nas teclas de algum piano, se tocar eu soubesse, ou talvez se transformasse em poesia, se talento tivesse. Hoje a danada que bateu, foi a lembrança de tempos que me sentava com uma roda de amigos, muita conversa boa e cerveja gelada. De quando em vez um escocês, do legítimo, afinal também éramos dignos desse privilégio. Rolava um violão, que era mal tocado, mas a tudo misturado, parecia que nem era. Sem falar do clima de paz que a tudo emoldurava, dando impressão que o relógio havia parado, envolvido que estava nesta aura iluminada. Concordo contigo, está um tanto rebuscado este texto, e nem tento arranjar desculpa, mas se eu ficasse mais tampo escolhendo palavras, a dor calava mais fundo. Então, deixo escapar cada letra, como água que sai pelo ladrão da caixa d´água. Surgem imagens na minha mente, como se a um filme olhasse. Vejo o Giba, que de tanto que gosta de música, hoje tem um dos melhores cantos da rede, para saber desta arte. Creio que é o carioca mais paulista que conheci. Eu, ele e o Daniels, sentados no chão, soltamos a voz sem a menor cerimônia. É claro que havia mais gente, aliás as vezes, muito mais gente. Conosco, quase sempre estava um japonês, que gostava tanto de samba, que alguns juravam que à noite, quando chegava em casa, abria um zíper nas costas, tirava a fantasia, e de lá saía um crioulo com pixaim e tudo que tem direito. Aliás, já que lembramos do Maeda hoje, dezesseis de setembro, é dia do seu aniversário. Grande Alberto, sinta-se abraçado. E eu preciso deixar aqui registrado, que ele é a pessoa que me mostrou a maior prova de amizade, de toda minha vida. Em um momento difícil dela, ele não me perguntou nada e não me disse nada, tão somente fez colocar a sua presença à minha frente, e fizemos o que para ser feito havia. Mas essa vida era feita também de outras personagens, mas isso fica para um outro derrame. Tenho certeza que os atores que por ali passaram, certamente irão lembrar de uma história, de uma passagem, e talvez sintam vontade de comentar. Fiquem à vontade, é para isso mesmo que esse canal existe. Abraço, fico por aqui, agora com o coração já em ritmo moderato. E para fechar também com o poetinha, não tem nada não, tenho meu violão. Todavia.