Este post começou como um comentário que fiz no blog de um amigo de longa data (gibaitu.blogspot.com) que escreve sobre o livro de Daniel Filho e de suas lembranças da época do Ultraman. Achei que devia estender um pouco mais o tema e aqui o faço. De igual modo, também vivi o mundo das televizinhanças. Só fui ter uma TV em casa, depois da Copa de 70, a do tri. Naquela época eu via Vigilante Rodoviário, Carlos, que muito antes de Nascimento, foi nosso herói policial brasileiro. Cisco Kid, Zorro (o de capa e espada) e o Zorro (amigo do Tonto - que tempos depois vim saber que o nome era Cavaleiro Mascarado). Depois vieram Batman, Mulher Maravilha, Cyborg, Capitão América, e outros heróis. Via os Três Patetas, humor inocente e repetitivo, que tanto nos fazia rir. Era um tempo maravilhoso. Ah! Também vi um "milagre" que me deixou em êxtase. Fã que era de ficção científica, vi o primeiro humano pisar na Lua. Talvez hoje seja pouco, mas em 1969 era o futuro que chegava. Fiquei sem entender quando vi interrompida a transmissão de uma notícia em edição extra-ordinária, a Revolução dos Cravos em Portugal. Era 1974, e só depois soube que havia sido censura, aquilo que achei que era uma simples "perdoe a nossa falha".
No jornalismo, Assisti o Repórter Esso e vi Heron Domingues anunciar a renúncia de Richard Milhous Nixon. Não posso me esquecer da dupla Cid Moreira e sua loirice indefectível, com Sergio Chapelin, de longas madeixas, como ditava a moda de antanho. Vi novelas inocentes como A Moreninha, Uma Rosa com Amor e outras menos inocentes como Bandeira 2, O Bofe, O Rebu, todas estas com o inoxidável Ziembisnki. Também vi Gabriela, Saramandaia (post anterior) e outras. Vi A Muralha, na exibição de 1968 (a primeira foi em 1961, mas do berço eu não conseguia ver). Lembro-me do trecho da música de abertura de Shazan, Xerife & Cia, fazendo estripulias em sua Camicleta. “Hei Shazan, herói de revista em quadrinhos...”. Também nessa época aprendi que “não existe nada mais antigo, do que cowboy que dá cem tiros de uma vez. A vó da gente deve ter saudade do sing pow, do cinto de inutilidade...”
E as propagandas? Ou devo dizer reclames? Se estava frio eu ouvia: “-Quem bate? É o frio! Não adianta bater, que eu não deixo você entrar. As Casa Pernambucanas é que vão, aquecer o meu lar. Vou comprar flanelas, lãs e cobertores eu vou comprar. Nas Casas Pernambucanas e nem vou sentir, o inverno passar.” Ou a outra: Tá na hora de dormir, não espere mamãe mandar. Um bom sono prá você e um alegre despertar (Cobertores Parayba). E sempre soube que: Juquinha quando está chupando bala, não fala. Não fala, não dá bola nem dá bala. E logo vinha a concorrente: Roda, roda, roda baleiro atenção. Quando o baleiro parar ponha a mão. Pegue a bala mais gostosa do planeta, não deixe que a sorte se intrometa. Bala de leite Kids, a melhor bala que há. Bala de leite Kids, quando o baleiro parar. Fiquei sabendo também que: Depois de um sono bom, a gente levanta, toma aquele banho, escova o dentinho. Na hora de tomar café, é Café Seleto, que a mamãe prepara, com todo carinho. Café Seleto tem sabor delicioso, cafezinho gostoso, é o Café Seleto. Café Seleto tem sabor delicioso, cafezinho gostoso, é o Café Seleto. Café Seleto. Se ia na “casinha”, logo me lembrava de uma menina cantando: Primavera, Primavera, sou a menina Primavera. Meu papel é trazer a você. O papel, o papel Primavera. Primavera é super macio. Primavera, papel Primavera. E com perdão do trocadilho, os anos não me fez esquecer que este papel era cor-de-rosa, e de macio não tinha nada. Já na hora de tomar o café da tarde, tinha uma Groselha Vitaminada Milani, iahuu, No leite, no refresco e no lanche. Prá tomar a toda hora na sua casa, na festinha, na merenda. Tudo fica uma delícia, guarde o nome e não se engane. Groselha Vitaminada Milani, também no sabor Morango e Framboesa, iahuuuu. Em ritmo de rock, eu via A pulguinha dançando iê-iê-iê.O pernilongo mordendo meu nenê. E o dia inteiro a traça passa, a roer, a roer. Nessa festa preciso por um fim. Vou chamar DDDrin, DDdrin, e os passeios da barata pela casa vão ter fim. DDDrin, DDDrin, D-D-Drin. Pela manhã, escova os dentes com Kolynos, Ahhh. Até tentaram me dar, mas nunca consegui comer Cremo, Cremo, Cremo Cremogema. É a coisa mais gostosa desse mundo. Eu esqueço a boneca. Eu esqueço a minha bola, quando tomo Cremogema.
Até hoje fico em dúvida a respeito, mas quem sabe... -Você tem cinco segundos pra responder. Adivinha o que brilha mais: o assoalho da mamãe ou o sapato do papai? Odd. Eu não me lembro da voz dela, mas dos seus cabelos, quanta diferença! Graças aos Shampoos Colorama, um produto Bozano. Em latim alguém avisava que Dura Lex, Sed Lex, no cabelo só Gumex. E aquele puxa-saco do Fernandinho, usando a mesma camisa USTop do chefe. Sem contar que usei Conga, Bamba Maioral e Ki-Chute. Sapato Vulcabrás, Calça Topeka e Camisa de anarruga. Bem, melhor parar por aqui, mas tem assunto para mais e mais história. Tudo direto do Túnel do Tempo.
Essas lembranças não seguiram nenhuma cronologia, foram sendo anotadas a medida que a memória ia puxando. E tudo isso culpa de quem? Do Giba! Quem mandou puxar minhas lembranças.



